Álvaro Manuel Machado
Ensaísta, professor, romancista e poeta português, Álvaro Manuel de Oliveira Machado nasceu a 4 de maio de 1940, no Porto, mas residente desde muito novo em Lisboa.
Entre 1967 e 1976, esteve exilado em França, onde se formou na Escola de Altos Estudos, com uma tese sobre Literatura latino-americana contemporânea, e doutorou-se em Literatura Comparada pela Universidade da Sorbonne – tendo apresentado com a sua tese de doutoramento (cf. Les Romantismes au Portugal: Modèles Étrangers et Orientations Nationales, Paris, 1986) uma perspetiva inovadora sobre a dessincronia entre a influência de modelos estrangeiros e as manifestações dos vários romantismos em Portugal. Exerceu, posteriormente, funções de professor universitário em Rouen e Paris.
Regressado a Portugal, foi designado professor catedrático do Departamento de Línguas, Culturas e Literaturas Modernas, na Universidade Nova de Lisboa, tendo criado a disciplina de Literatura Geral e Comparada. Tendo procurado divulgar da nossa literatura nos meios de comunicação audiovisual através de programas literários de televisão, e colaborando, entre outros, em jornais como Bandarra, Vértice, Jornal de Letras e Artes, Diário Ilustrado e nas revistas francesas Magazine Littéraire e La Quinzaine Littéraire, foi ainda leitor do antigo Instituto de Cultura Portuguesa e consultor literário das editoras Gallimard, Albin Michel e Denöel.
Publicou, na "Biblioteca Breve", dois estudos, um sobre a Geração de 70 e outro sobre a Novelística Portuguesa Contemporânea, que o lançariam como investigador especializado na literatura dos séculos XIX e XX, centrando-se sobretudo no período do Romantismo.
Nos estudos sobre a ficção contemporânea, tem merecido especial atenção do autor a obra de Raul Brandão e de Agustina Bessa-Luís, ambas constituindo, segundo o ensaísta, etapas marcantes da novelística portuguesa contemporânea. Recebeu destes dois nomes uma herança estilística que o familiarizou com processos de desintegração diegética através da expressão dramática de um fluxo lírico íntimo e lúcido que, sem deixar de possuir referências na realidade histórica imediata, cristaliza imagens autobiográficas ou da existência no exílio, a que associou uma cadência musical, visível tanto no plano da estruturação dos romances como da própria frase, breve ou entrecortada por pausas, mas sempre rigorosamente ritmada. Frequentemente, este fragmentarismo formal alimenta-se dos remendos de memória de uma personagem que assume o exílio como condição existencial, procurando o seu rosto nas imagens da infância, nos lugares da origem, nas cidades onde viveu, nos corpos que amou.
Da sua vasta obra como ensaísta, destaca-se A Geração de 70: Uma Revolução Cultural e Literária (1977), A Novelística Portuguesa Contemporânea (1977), As Origens do Romantismo em Portugal (1979), Agustina Bessa-Luís: O Imaginário Total (1983), Raul Brandão entre o Romantismo e o Modernismo (1984), O Romantismo na Poesia Portuguesa - De Garrett a Antero (1986), Dicionário de Literatura Portuguesa (1996). Quanto à sua obra como escritor, menciona-se, entre outros, os livros Exílio (1978), O Viandante (1996), O Complexo de Van Gogh (2001) e A Mulher que se Imagina (2004).
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