António Pedro Lopes de Mendonça
Romancista, dramaturgo e folhetinista português, António Pedro Lopes de Mendonça nasceu a 14 de novembro de 1826, em Lisboa, e morreu, também nessa cidade, a 8 de outubro de 1865.
Representante de um socialismo utópico e romântico, é sobretudo como crítico literário que Lopes de Mendonça fica na história da literatura portuguesa. Nascido no seio de uma família burguesa, após uma efémera passagem pela Marinha e participação no movimento setembrista, dedica-se por inteiro às letras.
Em 1843, publica as Cenas da Vida Contemporânea, muito influenciadas por Balzac. Três anos depois, ingressa no jornalismo a convite de José Estêvão, como articulista no jornal A Revolução de setembro. Além deste, deixará ao longo da sua vida uma extensa colaboração dispersa por periódicos como O Eco dos Operários, A Semana, Revista Peninsular e Anais das Ciências e das Letras da Academia Real das Ciências.
Em 1849, publica o romance Memórias dum Doido, inicialmente surgido em folhetim na Revista Universal Lisbonense, no qual, também influenciado por Balzac, se reflete a modernidade da época, combinando o idealismo romântico com uma intenção de análise e denúncia de uma sociedade injusta e corrompida. Ainda por essa altura, colige no volume dos Ensaios de Crítica e de Literatura uma série de artigos de crítica literária anteriormente publicados no jornal A Revolução de setembro, onde toma como referência o grande modelo literário da sua geração, Lamartine, e chama a atenção para a necessidade do estudo das relações entre as literaturas nacionais.
Em 1850, funda, juntamente com Sousa Brandão e Vieira da Silva, o jornal socialista Eco dos Operários, onde divulga o socialismo utópico de Proudhon. Um ano depois, viaja pela Itália. Em 1855, é eleito deputado. Em 1859, publica as Memórias da Literatura Contemporânea, refundição dos Ensaios de crítica publicados dez anos antes.
Em 1860, é-lhe atribuída a cátedra de Literatura Moderna no Curso Superior de Letras, mas o excesso de trabalho mental depressa o conduz à loucura, sem que chegue a lecionar. Morre louco em 1865.
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