associação livre
Modelo de desenvolvimento da técnica clássica psicanalítica e considerada a regra fundamental da situação psicanalítica.
Consiste em exprimir e evocar indiscriminadamente, mas num estado consciente, todos os pensamentos que acodem ao espírito, quer a partir de um elemento dado (palavra, número, imagem, sonho, etc.), quer de forma espontânea.
O procedimento usual é o seguinte: o paciente é convidado a deitar-se num divã, devendo colocar-se em posição de completo relaxamento e repouso, numa atitude inteiramente passiva. O terapeuta encontra-se sentado por detrás do paciente e pede-lhe então que deixe a mente divagar descontraidamente, numa espécie de devaneio, e vá dizendo em voz alta tudo o que lhe ocorrer no momento. É importante conseguir que o sujeito diga tudo, absolutamente tudo, sem a mínima inibição ou crítica, em perfeita neutralidade em relação ao seu próprio pensamento. O analista limita-se a anotar, com imparcialidade, as palavras e frases ditas pelo paciente. Em qualquer momento, se o terapeuta verificar que a associação não está a ser frutífera, pode propor uma palavra, imagem, etc., a partir da qual o paciente continuará a associar ideias.
As ideias assim evocadas revelarão algumas associações (das quais o próprio sujeito não tem consciência) e onde será possível descobrir ligações lógicas e emocionais entre os sintomas dos seus distúrbios e as experiências anteriores traumatizantes por ele vividas. Estas associações espontâneas, involuntariamente estabelecidas pelo sujeito em presença do terapeuta, são portanto "significativas" em relação aos sintomas apresentados e servem como pista indicadora capaz de levar o terapeuta à identificação das causas mais profundas dos males de seu paciente.
Freud começou a utilizar este método em 1894, já que era uma forma de chegar ao material mais inconsciente. A associação livre substituiu a hipnose, de vez, em 1896 pois esta não conseguia destruir as defesas do sujeito hipnotizado, ao contrário da associação livre que chegava ao material inconsciente.
O desenrolar das associações é livre, na medida em que não é orientada e controlada com uma intenção seletiva. Visa, isso sim, eliminar a seleção voluntária dos pensamentos e revelar as defesas inconscientes.
Em 1923, em diversos artigos, Freud sublinhou que esta regra chamada de fundamental era indispensável à realização do trabalho psicanalítico e o único método que permitia a emergência das resistências e que podia ser interpretado.
A associação livre é uma regra que se tornou tão importante quanto a interpretação de sonhos e a exploração dos atos falhados.
Lacan, em 1950, destacou que a associação livre leva o paciente a confrontar-se com uma fala livre, dolorosa porque suscetível de ser verdadeira e que não é controlado pelo paciente.
Em termos psicanalíticos, a associação livre é a passagem do conteúdo manifesto ao latente, é um método para a descoberta do inconsciente. Quando abandonamos a consciência e o comportamento consciente, aquilo que sobressai são os pensamentos inconscientes.
Existem duas formas que o sujeito utiliza inconscientemente na associação livre e que o psicanalista tem de interpretar:
- Formação substitutiva - são afetos ou ideias que determinam energia e que vão agir sobre outras ideias parecidas que estão recalcadas, ou seja, representam tudo o que está recalcado; quando um fenómeno existe na consciência e substitui outro que está escondido, por exemplo, o esquecimento de nomes, erros de memória, erros de escrita, falhas de memória ou linguagem, perda de objetos.
- Formação de compromisso - são originadas por situações de interferência entre aquilo que sabemos e aquilo que não sabemos; por exemplo, os sonhos.
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