Ataques do Eixo a Portugal e Colónias
Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, Salazar beneficiou de um período de pacificação por cinco anos, pois os seus adversários políticos concordaram em responder às hostilidades.
Embora houvesse apenas uma pequena percentagem de indivíduos que acreditassem que Portugal ia ficar fora do conflito, Salazar seguiu uma política de neutralidade desde o primeiro momento e pôde, de facto, mantê-la devido à evolução de uma conjuntura favorável ao afastamento do país do conflito.
Seguramente, o afastamento da ameaça da invasão da Península Ibérica, e em particular de Portugal, prevista para outubro de 1940, não teve a ver com as manobras diplomáticas do governo salazarista, mas prendeu-se com o facto de o ataque de Mussolini à Grécia ter tido pouco êxito e obrigar a uma intervenção das forças nazis, que tentavam conter a formação de uma frente aliada nos Balcãs. Outro motivo favorável à não intervenção de Portugal neste conflito mundial foi a perentória recusa do general Franco de entrar na guerra ao lado dos alemães, facto que proporcionou ao nosso país uma posição de relativa força.
Esta neutralidade poupou a intervenção de Portugal na guerra, mas trouxe, contudo, outros problemas bastante complicados. O território timorense por exemplo foi duas vezes atacado: primeiro pelos australianos, em 1941 e, no ano seguinte, pelos japoneses. Estes ataques provocaram a morte a muitos portugueses e timorenses, mas, no entanto, não houve qualquer quebra de relações diplomáticas com a Austrália e o Japão.
A acrescentar ao problema de Timor, havia também Macau, cuja administração durante este período foi controlada pelos japoneses. Registe-se, por outro lado, a utilização da base aérea dos Açores pelas forças aliadas.
Portugal e Espanha mantiveram-se, assim, fora do âmbito deste conflito, apesar de estes dois países terem nitidamente mais simpatia pelos regimes totalitários alemão e italiano. Os dois chefes de Estado ibéricos, em março de 1939, tinham assinado um tratado de amizade e não agressão, confirmado por ambas as partes em maio de 1940.
A este protocolo seguiu-se um outro, em julho do mesmo ano, e um encontro entre o general Franco e Oliveira Salazar em Sevilha, a 2 de fevereiro de 1942, uma das poucas senão a única saída do País por parte do estadista português. Estava deste modo forjado o Bloco Ibérico, uma aliança entre as duas nações da Península Ibérica, que vinha contrariar a tradicional aliança de Portugal com a Inglaterra.
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