ato falhado
O ato falhado é um termo psicanalítico para designar as frustrações sentidas nas ações realizadas. O sujeito atribui o insucesso ao acaso ou à falta de atenção, quando o que realiza é um desejo inconsciente. São fenómenos psíquicos completos, isto é, têm um fim, um conteúdo e uma significação.
Não acontecem por acaso, têm sempre algum sentido e existem por algum motivo. Quando há um ato falhado, é porque existe um conflito entre a intenção consciente do sujeito e o seu inconsciente recalcado. São atos em que o resultado desejado é substituído por outro que o indivíduo não controla. Podem ser representados por lapsos de linguagem, erros de leitura ou de escrita, lapsos de memória, etc.
Identificam-se normalmente três tipos de atos falhados:
- Substituição de uma intenção por outra, em que se diz o que não se deseja.
- Acrescento de outro sentido à intenção.
- Deformação da intenção, ou seja, em vez de se dizer uma palavra, dizem-se palavras que não existem, pela condensação de duas palavras, a maioria das vezes completamente diferentes.
Chama-se ao ato falhado formação de compromisso, pois existe uma intenção consciente e outra intenção escondida. Nestes atos há um conflito onde estão presentes duas tendências contraditórias e com finalidades opostas. Há uma tendência que se encobre e que o indivíduo recalca, mas que continua em ação e tende a manifestar-se, perturbando a intenção manifesta, aquela que o indivíduo quer que conscientemente apareça. É considerado um sintoma, tal como o sonho, ou seja, uma formação que tem origem no inconsciente, que pretende comunicar algo para o consciente do próprio sujeito.
Tal como nos sonhos, o analista utiliza a associação livre para fazer emergir estes desejos inconscientes em forma de atos falhados.
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