Beatriz e o Mouro
Em tempos que já lá vão, no Castelo de Almourol, vivia D. Ramiro, um nobre godo, com a sua mulher e uma filha única chamada Beatriz. D. Ramiro era um chefe guerreiro com fama de impiedoso e cruel.
Um dia, no caminho de regresso a casa, já próximo do seu castelo, avistou duas belas mouras, mãe e filha, transportando água numa bilha. D. Ramiro pediu-lhes de beber, mas as mouras assustaram-se e deixaram cair a bilha de água que se partiu.
Furioso, D. Ramiro matou-as com a sua lança. Antes de morrer, no entanto, a moura mais jovem amaldiçoou o cavaleiro cristão e toda a sua descendência. Entretanto, o irmão da rapariga moura havia assistido a tudo, horrorizado.
O jovem mouro jurou vingar-se da morte das mulheres da sua família, pelo que D. Ramiro o levou como escravo para o castelo, onde, mais tarde, o pôs ao serviço de sua filha Beatriz.
Passados alguns anos, cumpriu-se a primeira parte da vingança: a mulher de D. Ramiro morreu envenenada. Este, cheio de desgosto, resolveu ir combater os infiéis deixando Beatriz à guarda do mouro. Beatriz e o mouro, entretanto, apaixonaram-se perdidamente.
Um dia, D. Ramiro voltou ao seu castelo acompanhado pelo pretendente à mão da sua filha. Perante a situação, o mouro resolveu contar a Beatriz a história da sua desgraça e as juras de vingança.
A lenda conta que Beatriz e o mouro desapareceram e que D. Ramiro morreu pouco depois cheio de remorsos. Diz-se também que, na torre do castelo, no dia de S. João, ainda aparecem as almas do mouro e de Beatriz, com D. Ramiro de joelhos a pedir eterno perdão pelos seus crimes.
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