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cabelos (mitologia)
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O cabelo da deusa Ísis tinha o poder de proteger e de devolver a vida, e foi suspendendo-o sobre Osíris que ela o fez ressuscitar. Nos deuses e heróis da Antiguidade, o cabelo também era símbolo de força e de poder, e por isso era longo e espesso, como o cabelo de Shiva. Quando cortado, era sinal de castração da força e da virilidade e, assim, Sansão ficou indefeso depois da traição de Dalila. Crenças antigas sobre os cabelos diziam que estes conservavam as propriedades e uma ligação com os seres humanos, mesmo depois de cortados. Era por isso, e pelo facto de que estas características podiam ser absorvidas pelas pessoas que os possuíam, que os cabelos eram utilizados nos rituais de bruxaria, guardados como relíquias pertencentes a santos e heróis ou, muito simplesmente, por qualquer mãe que recolhia e guardava os cabelos do seu filho para o proteger de todo o mal. Tanto no Oriente como entre a nobreza europeia, o cabelo comprido nos homens era sinal de virilidade e poder, e mesmo de nobreza e realeza. Entre os índios da América era um troféu de conquista e domínio já que os vencedores guardavam ao escalpe da cabeleira dos vencidos. No Vietname, existe uma forma de adivinhação do futuro através da forma como os cabelos estão dispostos na cabeça. Os cabelos desgrenhados são sinal de luto ou submissão e, na Índia, é comum as mulheres viúvas raparem o cabelo e cobrirem a cabeça com cinza. Como voto ou promessa, os cabelos podiam ser rapados ou nunca cortados. Os egípcios por exemplo nunca cortavam o cabelo enquanto viajavam. Na antiga tradição Rússia, só as mulheres solteiras podiam usar uma trança, já que as casadas tinham de usar duas tranças. Enquanto os eremitas deixavam crescer o cabelo como símbolo do seu abandono da vida terrena, na Igreja cristã, o cabelo era um sinónimo de liberdade e disponibilidade sexual, por isso, freiras e frades rapavam o cabelo ao mesmo tempo que formulavam os seus votos, já que com este ritual renunciavam aos prazeres e à vida terrena. S. Paulo exortava os homens a manterem o cabelo curto e as mulheres a cobrirem o cabelo durante as cerimónias religiosas, já que se acreditava que o cabelo das mulheres tinha poder sobre os anjos. Durante a Inquisição, tentou-se mesmo provar que as feiticeiras conseguiam desencadear tempestades apenas com o soltar da sua cabeleira.
"Mulher penteando o cabelo", de Henri de Toulouse-Lautrec
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Como referenciar
Porto Editora – cabelos (mitologia) na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-09-08 06:36:45]. Disponível em

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