Cabralismo
Nome dado à política de governo do ministro de D. Maria II, António Bernardo da Costa Cabral. Este destacou-se ao longo da sua carreira política pelo radicalismo revolucionário, sendo inicialmente militante setembrista.
Indigitado ministro do Reino em 1842, depois de impulsionar um golpe de Estado em favor da carta Constitucional, tomou uma série de medidas mais ou menos contestadas durante o seu governo.
Entre estas contam-se a elaboração de um novo Código Administrativo, reforma dos estudos do liceu e da orgânica da Guarda Nacional e a abertura de estradas e realização de outras obras de engenharia.
A construção do Teatro Dona Maria II e a fundação da Escola de Arte Dramática e da Academia Portuense de Belas Artes, assim como a tentativa de sistematizar os arquivos das autarquias atestam os seus esforços no sentido de desenvolver a cultura num país que neste aspeto se encontrava algo anquilosado.
O seu mandato terminou em 1846, devido à crescente oposição que provocavam as medidas centralizadoras e reformadoras que tomava e, sobretudo, a forma impositiva de que elas se revestiam. Esta resistência, agravada pelo descontento provocado pelo facto de ter nos mais altos cargos familiares que o secundavam e pelas leis que emitira referentes ao imposto de repartição e saúde pública, culminou na revolta minhota conhecida como a da Maria da Fonte, obrigando Costa Cabral à expatriação até ao ano de 1849. Nesta altura retornou a Portugal e assumiu o cargo de presidente do Conselho, o qual ocupou até ao ano de 1851.
Durante o cabralismo assistiu-se a um crescente poderio de viscondes e de barões, nobreza que enriquecera com a compra das propriedades das ordens religiosas, extintas em 1834, e consequentemente teve ao seu alcance meios para assumir cargos de poder no seio da finança, do comércio e da exploração agrária, tendo aliás esta sido bastante protegida durante a estada de Costa Cabral no poder.
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