Caio Mário
Tribuno militar romano, nasceu por volta do ano de 157 a. C., em Arpino, localidade situada na península italiana.
Apesar da sua família ser abastada, era contudo de origens humildes, o que dificultou a sua carreira política em Roma por ser considerado um "homem novo". Caio Mário, cavaleiro e publicano, foi também tribuno militar na Numância, onde se destacou no desempenho do seu cargo. Como consequência Públio Cornélio Cipião Emiliano Africano Numantino, então cônsul, aconselhou-o a ignorar os obstáculos que as origens de Mário colocavam à ascensão política romana e tentar a carreira pública.
Foi tribuno da plebe, tendo, por conseguinte, assento no Senado, e tornou-se pretor, em 115 a. C., apesar de se suspeitar que tivesse recorrido ao suborno para ser eleito para este último cargo. Cinco anos depois, o casamento com Júlia, uma patrícia da gens Júlia e tia de Júlio César, conferiu-lhe o estatuto necessário para atingir o consulado, o que aconteceu pela primeira vez em 107 a. C. Neste ano, foi igualmente comandante supremo do exército e derrotou o rei Jugurta da Numídia no Norte de África, para onde foi enviado como legado de Metelo Numídico. No ano 100 a. C., foi a vez de derrotar as tribos germânicas dos Teutões e dos Cimbros, cujas invasões no Norte de Itália causaram grande temor aos Romanos. Após este confronto não participou na vida pública durante alguns anos, até que foi necessária a sua participação na luta contra os Aliados Italianos de Roma, entre outras.
Chegou a ser cônsul sete vezes (três das quais in absentia ou com a sua ausência de Roma, visto que se encontrava em campanhas militares) e faleceu alguns dias depois de ter conseguido o sétimo consulado (86 a. C.). Caio Mário notabilizou-se pela sua habilidade militar, tendo introduzido modificações nos hábitos relacionados com a disciplina militar que nem sempre foram bem encaradas pelos romanos mais conservadores por desafiarem a mos maiorum ou costumes ancestrais. Algumas destas alterações foram o alistamento de soldados não possuidores de terras (pertencentes aos capite censi) devido à ocorrência de um grande número de derrotas de Roma, assim como a doação de terras em alguns dos locais conquistados a estes mesmos soldados com o apoio do tribuno Saturnino.
Mário reestruturou igualmente o exército de forma a que cada corte passasse a ter seis centuriões com graus diferentes para que o comando não faltasse em nenhuma ocasião. O final da sua vida ficou marcado, na História de Roma, como uma das épocas mais sangrentas e conturbadas, marcada por uma vaga de terror, assassinatos em massa e devassas, levados a cabo, como represália, pela insânia e sanha persecutória de Mário, depois do seu regresso do Norte de África, na sequência do fim da sua proscrição da Urbe anteriormente, decretada por Sula em 88 a. C.
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