Cancioneiro da Ajuda
O Cancioneiro da Ajuda é a mais antiga coleção de textos poéticos compostos por trovadores galego-portugueses. O manuscrito, datado de finais do século XIII ou início do século XIV, encadernado juntamente com uma cópia do Livro de Linhagens do conde D. Pedro, foi editado em Paris, em 1823, por Lord Charles Stuart de Rothesay, com a designação Fragmentos de hum Cancioneiro Inedito que se acha na Livraria do real Collegio dos Nobres de Lisboa, seguindo-se, em 1849, por Francisco Adolfo de Varnhagen, em Madrid, a edição das Trovas e Cantares de um Códice do XIV Século: Ou antes, mui provavelmente, o "Livro das Cantigas" do Conde de Barcelos.
Em 1832, o códice passou para a Biblioteca do Palácio da Ajuda (de onde deriva a sua denominação) e, em 1843, foi enriquecido com onze fólios encontrados em Évora por Cunha Rivara. Em 1904, D. Carolina Michäelis de Vasconcelos edita e organiza o texto, reconstituindo-o nas partes truncadas e lacunares por comparação com as cópias quinhentistas, Cancioneiro da Vaticana e Cancioneiro da Biblioteca Nacional (Colocci-Brancuti).
O manuscrito, aparentado com os códices alfonsinos, apresenta-se visivelmente incompleto. A cópia ou compilação das 310 cantigas de 38 autores anónimos (identificados pelos cancioneiros copiados em Itália) deixa transparecer uma incompletude, quer no que respeita às composições em si (espaços em branco, fólios em branco...), quer no que respeita a pormenores de decoração, quer mesmo quanto à notação musical ausente, embora estivesse previsto o espaço para o seu registo.
O Cancioneiro da Ajuda reúne apenas composições anteriores a D. Dinis, de influência provençal e cortesã, excluindo as cantigas de amigo e as cantigas de escárnio e maldizer. Para Carolina Michäelis, este facto seria explicado pela hipótese de o Cancioneiro da Ajuda constituir uma espécie "Parte Primeira do Cancioneiro Geral galaico-português", conjeturando que este cancioneiro, tal como os cancioneiros quinhentistas (Vaticana e Biblioteca Nacional) obedeceria a um plano inicial tripartido.
Com efeito, a comparação deste cancioneiro com os cancioneiros da Vaticana e da Biblioteca Nacional, efetuada também por G. Tavani, deixa supor que o Cancioneiro da Ajuda funcionará como cópia parcial de um cancioneiro preexistente, que, na sua integridade, conteria composições relativas aos outros dois géneros poéticos cultivados pelos trovadores. Em todo o caso, parece excluída a hipótese de o Cancioneiro da Ajuda constituir o original de que derivariam aqueles dois cancioneiros, já que, além de outros caracteres divergentes, contém 64 cantigas que não constam dos outros dois códices.
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