carácter etíope
O carácter etíope diz respeito aos movimentos messiânicos negros, de índole nacionalista, de retorno a uma África de inspiração pré-colonial, libertada do jugo colonial. Com a deslocalização forçada de milhares de africanos para o Novo Mundo, idealizou-se, a partir do século XVI, uma segunda África a qual passou a ser mitificada por milhões de descendentes afro-americanos. Como se acreditava que a origem da raça negra estava localizada na Etiópia, o carácter etíope é a expressão da vontade de retorno às origens, à integridade inicial e à liberdade.
É sabido que os negros capturados e negociados nas costas da África ocidental se atiravam dos navios ao mar, apesar das pesadas correntes, na esperança sempre frustrada de conseguirem nadar de regresso à sua África. Em 1830, o jamaicano Samuel Sharpe, imbuído de crenças messiânicas misturadas com cristianismo, reencarnação e teorias de libertação, organizou uma rebelião que teve como objetivo o regresso à África ancestral. Mais tarde, no século XIX, foi o negro Paul Cuffee que teve a ideia de organizar um movimento de regresso à "casa ancestral e mítica" africana, tendo conseguido o regresso de cerca de 40 pessoas à Serra Leoa. A ideia de um regresso em massa começou a ocupar a mente de vários líderes negros, entre os quais o bispo Henry, que conseguiu o transporte de cerca de 500 pessoas para a Libéria. Em 1920, Marcus Garvey, líder de uma associação para o progresso dos negros, a UNIA, através da sua filosofia de "África para os africanos", procurou convencer os negros e os indianos a abandonarem as suas expectativas de integração na sociedade americana, aconselhando o seu regresso a África. Adotando as cores nacionais da Etiópia para o seu movimento, Marcus Garvey referia-se a Etiópia como se este país simbolizasse todo o continente africano, sustentando a existência de uma África unida, berço da cultura negra, anterior ao movimento de colonização que a dividiu em países, e de um Deus etíope, que protegia os seus filhos negros, e que lhes devolveria o poder e a glória, ao mesmo tempo castigando um mundo discriminador e injusto. Outros movimentos messiânicos negros basearam a sua filosofia no carácter etíope, como foi o caso dos movimentos dos líderes Daddy Grace, J. Arnold Ford e W. D. Fard que estiveram na origem da Nação do Islã ou Islão. Esse foi também o caso do movimento rastafari, que surgiu nos anos 30 por influência da UNIA e consequentemente, do carácter etíope. Na Europa, o movimento da negritude, que teve como um dos seus líderes mais carismáticos Leopold Senghor, assumiu uma feição também cultural e artística na defesa da existência de formas de pensamento distintas das ocidentais. Leopold Senghor defendia a existência de valores e pensamentos culturais negros e pedia aos seus seguidores que se libertassem dos preconceitos brancos, rejeitassem os valores brancos e defendessem o conceito de Etiópia, que para ele era também sinónimo de África. Um dos livros mais significativos sobre o carácter etíope é Black Zion, de David Jenkins, 1975, que faz uma análise desde o tempo da escravatura, associando esta filosofia a uma manifestação de forte carácter religioso.
É sabido que os negros capturados e negociados nas costas da África ocidental se atiravam dos navios ao mar, apesar das pesadas correntes, na esperança sempre frustrada de conseguirem nadar de regresso à sua África. Em 1830, o jamaicano Samuel Sharpe, imbuído de crenças messiânicas misturadas com cristianismo, reencarnação e teorias de libertação, organizou uma rebelião que teve como objetivo o regresso à África ancestral. Mais tarde, no século XIX, foi o negro Paul Cuffee que teve a ideia de organizar um movimento de regresso à "casa ancestral e mítica" africana, tendo conseguido o regresso de cerca de 40 pessoas à Serra Leoa. A ideia de um regresso em massa começou a ocupar a mente de vários líderes negros, entre os quais o bispo Henry, que conseguiu o transporte de cerca de 500 pessoas para a Libéria. Em 1920, Marcus Garvey, líder de uma associação para o progresso dos negros, a UNIA, através da sua filosofia de "África para os africanos", procurou convencer os negros e os indianos a abandonarem as suas expectativas de integração na sociedade americana, aconselhando o seu regresso a África. Adotando as cores nacionais da Etiópia para o seu movimento, Marcus Garvey referia-se a Etiópia como se este país simbolizasse todo o continente africano, sustentando a existência de uma África unida, berço da cultura negra, anterior ao movimento de colonização que a dividiu em países, e de um Deus etíope, que protegia os seus filhos negros, e que lhes devolveria o poder e a glória, ao mesmo tempo castigando um mundo discriminador e injusto. Outros movimentos messiânicos negros basearam a sua filosofia no carácter etíope, como foi o caso dos movimentos dos líderes Daddy Grace, J. Arnold Ford e W. D. Fard que estiveram na origem da Nação do Islã ou Islão. Esse foi também o caso do movimento rastafari, que surgiu nos anos 30 por influência da UNIA e consequentemente, do carácter etíope. Na Europa, o movimento da negritude, que teve como um dos seus líderes mais carismáticos Leopold Senghor, assumiu uma feição também cultural e artística na defesa da existência de formas de pensamento distintas das ocidentais. Leopold Senghor defendia a existência de valores e pensamentos culturais negros e pedia aos seus seguidores que se libertassem dos preconceitos brancos, rejeitassem os valores brancos e defendessem o conceito de Etiópia, que para ele era também sinónimo de África. Um dos livros mais significativos sobre o carácter etíope é Black Zion, de David Jenkins, 1975, que faz uma análise desde o tempo da escravatura, associando esta filosofia a uma manifestação de forte carácter religioso.
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Como referenciar
carácter etíope na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$caracter-etiope [visualizado em 2026-06-09 14:54:12].
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