Cemitério de San Cataldo
O cemitério de San Cataldo, em Modena, projetado pelos arquitetos italianos Aldo Rossi e Gianni Braghieri em 1971 corresponde à ampliação de uma estrutura funerária preexistente, construída no século XIX, que adotou a tipologia convencional do grande pátio central retangular, cercado por colunatas onde se reúnem os nichos fúnebres.
A esta unidade Rossi juntou um segundo pátio, igualmente cercado por longas galerias que assentavam em pórticos, com dois ou três pisos e que continham os nichos para as urnas cinerárias. No interior desta ampliação ficava um conjunto de elementos, que se organizavam axialmente. No centro ficavam os ossários lineares, repetidos paralelamente de forma a inscreverem-se num triângulo.
Rematando o eixo, uma construção em forma de cubo que continha o sacrário dos mortos da guerra e, no lado oposto, um cone que tapava a fossa comum e constituía o culminar do percurso através das galerias dos ossários. Estas galerias aumentam de altura em direção ao cone e são rematados e contidos por um elemento de maior dimensão, em forma de U. A solução compositiva do interior do cemitério estabelece uma evidente analogia osteológica.
Às claras referências ao antigo mausoléu oitocentista, Rossi associou leituras de algumas das visões utópicas dos arquitetos franceses Boullé e de Ledoux assim como memórias dos pórticos das cidades italianas, muitos deles representados nas paisagens metafísicas e melancólicas de De Chirico. De certa forma a imagem do cemitério de Modena lembra uma paisagem industrial ou um campo de concentração. O edifício cúbico central, totalmente esvaziado, remete para a ideia de abandono ou de ruína, metáfora da casa dos mortos que o cemitério pretende representar.
Os elementos formais utilizados - volumes simples e puros como cubos, prismas e cones - permitem criar, a partir de fragmentos, um território de grande unidade e simplicidade compositiva, fortemente simbólico e evocativo, como se se tratasse de um jogo de recordações ou de uma linguagem infantil.
O jogo de luz e sombra assinala o templo e a passagem dos dias num cenário de geometrias rígidas.
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