cetonúria
A cetonúria caracteriza-se, clinicamente, pelo surgimento de corpos cetónicos na urina, sendo um sinal de descompensação das diabetes.
Os corpos cetónicos são a acetona, o ácido aceto-acético e o ácido -hidroxibutírico. Estas moléculas surgem em resultado da metabolização de gorduras, nomeadamente ácidos gordos, para a obtenção de energia, quando o organismo não tem ou não consegue utilizar glícidos como fonte primária para os processos catabólicos de produção energética.
A presença de corpos cetónicos no sangue e na urina, em quantidades baixas, é uma situação normal (15 a 20 mg por litro de sangue), elevando-se em situações de baixa disponibilidade de glícidos, como no estado de jejum ou em presença de dietas alimentares de onde estes estejam ausentes. No casos de diabéticos, a insuficiência de insulina impossibilita o normal metabolismo dos glícidos, levando a que organismo tente obter energia a partir de outras fontes, predominantemente as gorduras, formando-se, em consequência disso, uma elevada quantidade de corpos cetónicos circulantes. Outras situações em que se pode observar um aumento dos níveis de cetonúria são a gravidez, doenças hepáticas, problemas de hiperatividade da tiroide e estadias prolongadas a altitudes elevadas.
Em situações normais, a cetonúria não ultrapassa a excreção de 1 mg de corpos cetónicos por dia, sendo que este valor aumenta proporcionalmente ao valor de cetonemia (quantidade de corpos cetónicos por litro de sangue). No caso das diabetes descontrolados e graves, a cetonemia pode ascender a várias gramas por litro, sendo, por isso, um indicador fiável dos níveis de insulina, permitindo ajustar as doses a administrar, em insulinodependentes, consoante as necessidades fisiológicas.
Nos pacientes com cetonúria, é normal a presença de um hálito adocicado - hálito cetónico -, devido à eliminação de corpos cetónicos também através da expiração.
O teste dos níveis de corpos cetónicos na urina são facilmente realizáveis pela imersão de tiras de medição adequadas no fluido. As mais recentes permitem já a medição simultânea da cetonúria e a deteção de açúcar na urina, sendo um instrumento extremamente útil na autorregulação do diabético. A medição deve ser efetuada regularmente também pelas grávidas, sobretudo em caso de surgimento de vómitos repetidos. É ainda aconselhável sempre que os níveis de açúcares no sangue estejam acima dos 300 mg/dl em insulinodependentes ou 400 mg/dl em não insulinodependentes.
No caso de valores elevados, deve ser contactado o médico, a fim de proceder ao ajustamento da dose de insulina, devendo-se evitar qualquer exercício físico e promover o consumo de bastante água, a fim de facilitar a excreção urinária.
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