Ciclo Queda Livre
Reúne composições escritas entre 1959 e 1962, algumas delas já editadas, como Refutação Pacífica da Beleza, Entre o Som e o Sul ou Mudo Mudando. Inscrita nas correntes de poesia que eclodem no início dos anos 60 e jogando dentro dos limites da poesia de vanguarda, a poesia emerge da aniquilação do lirismo, da dissolução do sujeito, da autonomização da palavra, da desconstrução do poema em planos significativos simultâneos ligados por relações analógicas e rítmicas (evoluindo por vezes circularmente) e da recorrência de imagens (mar, sol, rocha, aresta) que integram um código metafórico pessoal. Ao longo dos textos reunidos em Ciclo Queda Livre observa-se uma evolução no sentido da progressiva identificação com a produção experimental. É assim que as composições de Queda Livre ou o texto Aquiquanta (de 1971), que encerra o livro, resultam de experimentação sobre a matéria verbal, explorando as suas possibilidades enquanto poemas visuais ou poemas fonéticos. Por outro lado, a poesia de E. M. de Melo e Castro é um exemplo dos mais bem sucedidos das possibilidades de conciliar experimentação e assunção da História, resolvendo na sua obra o dilema que opôs, ao longo do século XX, duas vanguardas: a vanguarda política e a vanguarda estética (cf. MARTINS, Manuel Frias, "As palavras Só-Lidas", in Sombras e Transparências da Literatura, 1983, p. 60). As composições de Ciclo Queda Livre combinam, à semelhança do que acontece com publicações posteriores, a complexificação da estrutura frásica com "o jogo especular de vocábulos isolados ou integrados em cadeias fónicas conducentes a um clímax de sentido" (MARTINS, Manuel Frias, ibid., p. 61), no entanto, o espaço "pluralmente evocativo das múltiplas combinações de sentido que a recorrência do componente fónico introduz" não anula o espaço da existência social e humana (ibid. p. 61), refletindo, num discurso imagético, problemáticas como a desumanização da cidade (cf. «Cidade-Treva») ou a busca da totalidade perdida do ser ("vou contigo até onde tu és um homem livre", «Água Possível Corpo»).
Partilhar
Como referenciar
Ciclo Queda Livre na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$ciclo-queda-livre [visualizado em 2026-06-25 17:11:50].
Outros artigos
-
HistóriaA História na Antiguidade Os autores clássicos, como Heródoto, Tucídides e Políbio entre os gregos, ...
-
AgoniaDa autoria de Manuel Nascimento, publidado em 1954 e dedicado a Graciliano Ramos, este romance tem c
-
Poesia (Quase Toda e Até Agora)Precedido da dedicatória "A Carlos de Oliveira que me ensinou, antes de Barthes, "a responsabilidade
-
Os Mosqueteiros de ÁfricaRomance histórico, de Mendes Leal, cuja ação se desenrola em Lisboa, em 1640, acompanhando os sucess
-
Banhos de Caldas e Águas MineraisObra de Ramalho Ortigão, ilustrada com desenhos de Emílio Pimentel, prefaciada pelo folhetinista Júl
-
Cancioneiro da AjudaO Cancioneiro da Ajuda é a mais antiga coleção de textos poéticos compostos por trovadores galego-po
-
Aida de VerdiA ópera Aida nasceu, em 1869, de um convite de Ismail Paxá, soberano egípcio, a Verdi, para que comp
-
O Livro de AldaSegundo romance do políptico que Abel Botelho designou Patologia Social, constitui um painel patológ
-
Felicidade pela AgriculturaCompilação em dois volumes das crónicas publicadas por Castilho no jornal de Ponta Delgada O Agricul
-
José Eduardo AgualusaEscritor angolano, José Eduardo Agualusa conta com uma carreira literária de mais de 30 anos como au
Partilhar
Como referenciar 
Ciclo Queda Livre na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$ciclo-queda-livre [visualizado em 2026-06-25 17:11:50].