classificação das estrelas
As estrelas são astros aparentemente fixos que se distinguem pelo seu brilho, cor e posição relativa no firmamento. O brilho depende da luminosidade, energia emitida por unidade de tempo, e da distância, sendo inversamente proporcional ao quadrado desta.
A cor da estrela depende da temperatura da sua superfície e do material que a luz atravessa antes de ser observada.
Uma vez conhecidas, através dos espetros, as luminosidades e temperaturas superficiais das estrelas é possível proceder à sua classificação.
De acordo com o seu espetro as estrelas podem classificar-se em sete tipos espetrais designados pelas letras O, B, A, F, G, K e M. As estrelas mais quentes são as do tipo O. As mais frias são as do tipo M. Dentro de cada tipo espetral consideram-se 10 subtipos, designados de zero a nove. Estes subtipos baseiam-se na temperatura superficial da estrela. O zero é a mais quente e a nove a mais fria. Os tipos espetrais estão também relacionados com a escala evolutiva estelar. As estrelas O e B são antigas, menos brilhantes, enquanto as do tipo K e M são mais tardias e mais brilhantes. Por sua vez, uma estrela do tipo O2 é mais antiga que uma do tipo O7.
Um estudo mais detalhado das causas da aparição das riscas espetrais permitiu definir cada tipo espetral relativamente ao grau de ionização dos elementos que constituem a estrela. Os elementos metálicos, como o ferro, ionizam-se facilmente a temperaturas estelares relativamente baixas e, à medida que aumenta a temperatura, tendem a perder mais eletrões. O hidrogénio exige uma temperatura muito mais alta para perder o seu único eletrão. A energia de ionização do hélio é elevadíssima. Por isso as suas riscas de ionização só aparecem nos espetros mais quentes. Com base no grau de ionização, as características de cada grupo espetral são as seguintes:
Tipo O - A sua temperatura é superior a 25000K. A esta temperatura, o hélio, o hidrogénio e oxigénio estão ionizados. Só alguns átomos de hélio se encontram no estado neutro. As riscas mais características do espetro O são as de hélio ionizado, e as dos metais que perderam até três eletrões.
Tipo B (11000 - 25000K) - O espetro destas estrelas é caracterizado por apresentar riscas nítidas de absorção de hélio neutro. Isto deve-se ao facto de, a esta temperatura, já não ocorrer a ionização do hélio. Por outro lado, o silício, o magnésio, o oxigénio e o azoto encontram-se ionizados.
São estrelas de cor menos azul que as de tipo O.
Tipo A (7500 - 11000K) - A esta temperatura ainda se encontram riscas de hidrogénio ionizado. São tipicas as riscas dos metais, como o ferro, tanto no estado neutro como ionizados. A sua cor é amarelada.
Tipo G (5000 - 6000k) - O Sol pertence a este tipo de estrelas. Caracterizam-se por possuir riscas de metais, como o potássio e o cálcio ionizados, e outras, bastante bem marcadas, de metais neutros. A esta temperatura as riscas de hidrogénio são muito mais débeis e começam a aparecer as primeiras riscas moleculares.
Tipo K (3500 - 5000K) - No espetro destas estrelas predominam as riscas correspondentes a metais neutros. O cálcio encontra-se no estado ionizado e as riscas moleculares são nitidamente visíveis. São estrelas de cor vermelha - alaranjada.
Tipo M (temperatura inferior a 3500 ºC) - Os metais não se ionizam, predominam as bandas moleculares de óxido de titânio. São estrelas de cor vermelha intensa.
Atendendo à densidade estelar, cada tipo espetral subdivide-se em cinco classes, de I a V.
A classe I denomina-se classe das supergigantes e é constituída pelas estrelas de atmosfera menos densa e de maior extensão. A classe V compreende as estrelas anãs, as estrelas menos luminosas de cada tipo, sendo a sua atmosfera reduzida e muito compacta. As classes II, III e IV compreendem as estrelas gigantes e subgigantes, com características intermédias entre as de tipo I e V.
Além destes sete tipos estelares comuns, há quem considere outros três tipos específicos, designados pelas letras R, N e S. Apresentam espetros que correspondem as estrelas muito frias, que se caracterizam por possuir riscas moleculares muito intensas. A maior parte da sua luz é emitida em comprimento de onda inferior ao infravermelho.
Este tipo de emissão compreenderá as estrelas de temperatura superficial de apenas 1000K.
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