cólera-asiática
A coléra-asiática é uma doença infectocontagiosa conhecida há muitos séculos.
Embora o agente responsável, a bactéria Vibrio colerae, tenha sido descoberto apenas em 1884 pelo microbiólogo Robert Koch, encontram-se referências a esta doença já nos livros Colóquios dos Simples e Cousas médicas da Índia, do médico e botânico português Garcia de Orta (1499-1568).
Inicialmente localizada apenas no continente asiático, particularmente na zona ocupada atualmente pela Índia - daí o nome de cólera-asiática -, esta infeção espalhou-se um pouco por todo o Mundo, sobretudo entre os anos de 1817 e 1923, no decurso dos quais ocorreram seis grandes pandemias.
Devido à movimentação humana (o homem é o principal reservatório do microrganismo), a cólera espalhou-se um pouco por todo o globo terrestre, focalizando-se, sobretudo, nas zonas de baixas condições económicas e sanitárias, dado que o microrganismo consegue sobreviver por algum tempo em águas não tratadas com cloro ou outros desinfetantes análogos. Por este motivo, a cólera persiste ainda na Ásia, África (70% dos casos conhecidos) e América do Sul, sendo mesmo endémica em alguns países destes continentes.
A cólera é desencadeada por uma toxina produzida pelo vibrião colérico, do qual existem dois subtipos causadores da infeção: o clássico Vibrio colerae, ainda hoje persistente em certas zonas do subcontinente indiano, e o mais recente Vibrio colerae 01, conhecido como Estirpe El tor.
O El tor foi o responsável pela última pandemia de cólera (1960-1971), causando, no entanto, uma infeção menos violenta e com menor taxa de mortalidade. É, atualmente, a estirpe mais difundida.
A contaminação dá-se, sobretudo, pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com excrementos de indivíduos infetados, seguindo-se um período de incubação geralmente curto, não superior a cinco dias. A maioria dos casos evolui para uma forma suave, com diarreia moderada e vómitos.
No entanto, pode surgir um agravamento deste quadro, com intensificação da diarreia, aquosa e muito abundante, cólicas abdominais, desidratação, prostração, perda de peso rápida, astenia, perda de tonús da pele, hipoglicemia e baixa da tensão arterial. A desidratação é o principal perigo, podendo decorrer a morte por descompensação de fluidos eletrolíticos, que originam falência renal e cardíaca.
O tratamento é realizado com base na manutenção do estado de hidratação adequada do paciente, compensando a perda de fluidos e de iões, e com a administração de antibióticos, não devendo ser ministrados antidiarreicos.
A principal medida de prevenção é o desenvolvimento de adequadas medidas higienicossanitárias, já que a vacinação não é 100% efetiva e é de efeito temporalmente limitado.
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