competência (sociologia)
O conceito de competência, vulgarizado na década de 1980, encontra a sua origem e aplicação generalizada nos países anglo-saxónicos. A competência baseia-se explicitamente nas capacidades individuais dos trabalhadores, de ser ou não ser capaz de exercer um determinado trabalho. A competência é, assim, uma parte da profissionalidade: as qualidades de responsabilidade, de autonomia, saber trabalhar em equipa caracterizam a mobilização própria da competência (1996, Dubar - "La sociologie du travail face à la qualification et à la competénce". In Sociologie du Travail). É uma noção centrada, em particular, no conjunto de saberes que são mobilizados no quadro definido de uma atividade/emprego e cuja avaliação se centra nos resultados finais dessa atuação, sendo independente do lugar e da duração da aprendizagem: quando se fala de competências, sabe-se que não se está a falar do trabalho, mas unicamente dos indivíduos.
É, neste sentido, uma construção individual, que pode ser definida por dois traços: ela é uma "arte" e exige uma "mobilização" do indivíduo.
Quando se pretende definir, com objetividade e neutralidade, as modalidades de elaboração, de medida e de utilização, há uma preferência pela competência em detrimento da qualificação profissional. Com efeito, a crescente importância da competência como noção central, substituindo a da qualificação, está ligada ao questionamento do sistema taylorista e à necessidade das empresas em melhorarem a qualidade dos produtos e dos serviços. A emergência do modelo de competência implica uma transformação das práticas de gestão dos recursos humanos no recrutamento e privilegia o desenvolvimento do potencial em vez de uma adequação homem/posto, a mobilidade e percurso individualizado, a responsabilização, a formação contínua e o refazer das classificações (1988, Zarifian - "L'émergence du modèle de la compétence". In STANKIEWICK, F. Les stratégies d'entreprises face aux ressources humaines. L'après taylorisme. Paris: Económica).
Mas a competência não é apenas a posse de conhecimentos e virtudes necessários à realização de uma tarefa. A legitimidade da competência fundamenta-se nos factos, nos resultados concretos, na sua eficácia. Estamos próximos da legitimidade "racional-legal", definida por Max Weber, na medida em que os meios estão em adequação com os fins e dada a necessidade de provar o valor desta competência através da aplicação de uma regra de Direito: a competência é geralmente reconhecida por um diploma, um exame ou outro tipo de avaliação. Deste modo, a legitimidade da competência assenta no rigor e na qualidade objetiva do seu fundamento: estudos, conhecimentos particulares, experiência profissional, etc. Pelo desenvolvimento das técnicas, pela valorização dos saberes e dos saber-fazer, mas, também, os saber-ser próprios de cada profissão, as sociedades modernas reconhecem a importância deste tipo de legitimidade.
É, neste sentido, uma construção individual, que pode ser definida por dois traços: ela é uma "arte" e exige uma "mobilização" do indivíduo.
Quando se pretende definir, com objetividade e neutralidade, as modalidades de elaboração, de medida e de utilização, há uma preferência pela competência em detrimento da qualificação profissional. Com efeito, a crescente importância da competência como noção central, substituindo a da qualificação, está ligada ao questionamento do sistema taylorista e à necessidade das empresas em melhorarem a qualidade dos produtos e dos serviços. A emergência do modelo de competência implica uma transformação das práticas de gestão dos recursos humanos no recrutamento e privilegia o desenvolvimento do potencial em vez de uma adequação homem/posto, a mobilidade e percurso individualizado, a responsabilização, a formação contínua e o refazer das classificações (1988, Zarifian - "L'émergence du modèle de la compétence". In STANKIEWICK, F. Les stratégies d'entreprises face aux ressources humaines. L'après taylorisme. Paris: Económica).
Mas a competência não é apenas a posse de conhecimentos e virtudes necessários à realização de uma tarefa. A legitimidade da competência fundamenta-se nos factos, nos resultados concretos, na sua eficácia. Estamos próximos da legitimidade "racional-legal", definida por Max Weber, na medida em que os meios estão em adequação com os fins e dada a necessidade de provar o valor desta competência através da aplicação de uma regra de Direito: a competência é geralmente reconhecida por um diploma, um exame ou outro tipo de avaliação. Deste modo, a legitimidade da competência assenta no rigor e na qualidade objetiva do seu fundamento: estudos, conhecimentos particulares, experiência profissional, etc. Pelo desenvolvimento das técnicas, pela valorização dos saberes e dos saber-fazer, mas, também, os saber-ser próprios de cada profissão, as sociedades modernas reconhecem a importância deste tipo de legitimidade.
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Como referenciar
competência (sociologia) na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$competencia-(sociologia) [visualizado em 2026-06-11 23:08:16].
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