complexo de inferioridade
A denominação de complexo de inferioridade foi criada pelo discípulo de Freud, Alfred Adler, para designar o estado neurótico que tem por fundamento o sentimento de insuficiência ou incapacidade para enfrentar a vida e os seus problemas. Este complexo pode ser provocado por vários motivos, reais ou imaginários, como por exemplo um defeito físico, uma situação económica ou social difícil, ou simplesmente pela recordação de um fracasso perante um obstáculo que não foi possível vencer.
O neurótico procura compensar a sua insuficiência real ou imaginária, seja pela tentativa de sobressair numa atividade física, artística ou cultural, o que constitui uma reação positiva, seja procurando ultrapassar o seu sentimento de inferioridade agindo, consciente ou inconscientemente, com cautela, calculismo e arrogância, a fim de apresentar aos outros uma personalidade que não possui. Neste último caso, que representa uma reação negativa, o complexo de inferioridade pode-se agravar se o indivíduo for mal sucedido nestas tentativas de compensação.
Para Adler, a história da Humanidade deve ser considerada "como a história do sentimento de inferioridade e das tentativas feitas para encontrar-lhe uma solução".
Nesta perspetiva, podemos considerar que o complexo de inferioridade resulta de uma condição natural do indivíduo, mais ainda, de uma fonte de dinamismo que não foi bem conduzida pela pessoa.
Para Freud, o complexo de inferioridade é um sintoma que uma criança pode padecer na realidade ou na imaginação, de medo de sofrer ou de sofrer de facto, de castração ou perda de amor.
Pode-se dizer que em qualquer indivíduo, o sentimento de inferioridade está na base do próprio sentimento da personalidade. O ideal do indivíduo é tanto mais dominador quanto mais ele é consciente de que ainda resta um longo caminho a percorrer. A noção de complexo de inferioridade pode corresponder a sentimentos de culpabilidade ou de depressão, fazendo-se uma avaliação negativa de si mesmo em relação ao ideal do ego.
Esta inferioridade é relativa a um ideal grandioso. Tendo em conta que a identificação de si mesmo faz-se pelo olhar do outro, especialmente dos pais na infância, estes têm um papel relevante e estruturante no sentimento negativo ou positivo e na confiança em si mesmo e em poder ser amado pelos outros.
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