contexto (sociologia)
Isaac Joseph considera que, "para os investigadores que tentam conciliar as abordagens etnográficas e a corrente da análise de conversação, um contexto é simultaneamente o quadro local e percetivo no qual se desenrola uma atividade (setting), os elementos do meio institucional e etnográfico que servem de pano de fundo a essa atividade, e enfim o próprio espaço de discurso ao qual os participantes se referem no decorrer de uma interação".
Pode, pois, considerar-se que o contexto de um objeto de estudo ou o contexto de um acontecimento é formado por um conjunto de elementos do "meio institucional e etnográfico", de circunstâncias e de relações sociais exteriores ao objeto, mas das quais ele depende em parte. Nesta medida, a exterioridade do contexto em relação ao objeto de estudo ou ao fenómeno social é cada vez mais posta em causa. É a ligação de um acontecimento ao seu contexto de ocorrência que determina muitas vezes a identidade do mesmo. Os contextos dos acontecimentos incluem, assim, todos os elementos do meio e as informações contextuais que participam na inteligibilidade e na explicação do que acontece. É em relação às contingências circunstanciais e às informações contextuais que um acontecimento pode, por exemplo, ser identificado como "incidente mortal" ou como "assassínio". Por sua vez, o "incidente mortal" organiza um contexto diferente do "assassínio" (ou o inverso).
Determinadas abordagens, como a etnometodologia, inspiram-se na relação indicial do discurso ao contexto de enunciação, e consideram que há uma elaboração mútua e recíproca entre a ação ou o seu discurso e o contexto em que ela se desenrola. Para Aaron Cicourel e para a análise de conversação, por exemplo, o contexto é sobretudo o quadro no qual se organiza a conversação. Não admirando, portanto, a constituição permanente do contexto: "a produção de contextos sociais concretos é uma realização sempre em curso para os participantes".
Ao contexto liga-se também o reservatório das instituições, das normas, das convenções, dos usos e costumes. O contexto é composto de normas sociais, de regras, de convenções sociais ou de instituições. É o que nos permite afirmar: "eu vejo o João regressar do trabalho" (segundo o exemplo dado a este propósito por Habermas, 1995 - Sociologie et théorie du langage. Paris: Armand Colin). São as normas sociais, ou uma tal convenção, que permitem que eu veja um comportamento como a realização de uma norma de ação determinada (são as normas sociais que regem, por exemplo, os horários de trabalho, o tráfico às horas de afluência, o horário das refeições, etc.). Do mesmo modo, existem ações estandardizadas e fortemente orientadas normativa e institucionalmente que instituem contextos. Como existem contextos estruturados convencionalmente que orientam a organização social das ações: as audiências dos tribunais, as aulas, as representações de teatro e todas as sessões e ações ritualizadas, como as sessões do Parlamento, a missa, as paradas militares, os desfiles, etc.
Por tudo isso pode afirmar-se que os contextos sociais são observáveis.
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