continente psíquico
A noção de continente psíquico remete para o termo holding pelas suas semelhanças.
Em termos históricos, deriva da escolha entre a valorização da pulsão e a valorização da relação de objeto.
Há um primeiro momento de constituição do sujeito, momento do eu-prazer, no qual as representações, enquanto representações imaginárias da realidade, se constituem. Mas embora o sujeito absorva tudo o que está a sua volta, tudo o que é representável, resta sempre alguma coisa que fica excluída.
Influenciado pelas ideias de Melanie Klein, Bion usa a relação entre continente e conteúdo como modelo para a relação entre a mente e seus pensamentos.
Ronald Britton resume muito bem esta ideia complexa e delicada, de como o pensamento é transmitido à criança pela mãe, segundo o modelo bioniano do continente e do conteúdo:
A mãe, se for recetiva ao estado mental do bebé, é capaz de permitir que este estado seja evocado em si própria. Poderá processar isto de tal modo que, numa forma identificável, ela poderá cuidar disso no próprio bebé. Deste modo, algo que no bebé era quase sensorial e somático é transformado pela mãe em algo mais mental que pode ser usado para o pensamento ou armazenado como lembrança.
A origem da ligação está no processo entre a mãe e a criança e baseia-se no uso, pelo bebé, da identificação projetiva, e na capacidade da mãe em recebê-la e modificá-la. A introjeção subsequente, pela criança, de um objeto baseado nessa capacidade da mãe provê a criança de um objeto interno capaz de conhecer e de informar.
Por outras palavras, a pessoa que internaliza um objeto assim é capaz de autoconhecimento e comunicação entre aspetos diferentes de si própria. Essas pessoas podem pensar e vivenciar-se a si próprias.
Se, intrinsecamente, o funcionamento psíquico é relacional, na interação com o outro essa relação apresenta-se inerente, constitucional. Mesmo quando incapaz disso, nos primeiros dias de vida, a interação existe. A mente do recém-nascido é um conteúdo na mente da mãe dotada de capacidade de sonhar e de experiênciar para além do concreto e do lógico. Por meio desta capacidade onírica de acolher o filho, este tem a capacidade de se inserir no mundo humano. O holding ou continente psíquico inclui a preocupação materna primária da mãe, que lhe possibilita fornecer ao bebé o necessário suporte egóico. Tanto o holding psicológico como o físico são essenciais ao bebé ao longo do seu desenvolvimento e por toda a sua vida.
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