Convento de S. Domingos (Elvas)
Erguido na freguesia de S. Salvador da cidade de Elvas, o Convento de S. Domingos foi fundado em 1267 por D. Afonso III sobre a demolida Ermida de N. Sra. dos Mártires. Posteriormente, convento e igreja receberiam reformas que lhes alteraram parte da sua volumetria original.
A frontaria gótica foi demolida no tempo de D. João III (1553) e refeita no século XVII. É constituída por três portais, os laterais com frontão curvo e o axial sobrepujado por composição escultórica de anjos segurando as armas reais e emblema da ordem dominicana. No piso superior rasgam-se três janelas retangulares sobrepujadas por frontão. A parte mais elevada do pano central tem um nicho ladeado por volutas, abrigando no seu interior a escultura de S. Domingos.
O templo estrutura-se de acordo com a planimetria original. É formado por corpo de três naves, com a central de maior altura, cobertas por teto de madeira. Os cinco tramos são marcados por arcos ogivais repousando sobre poderosos pilares com oito colunas adossadas. O transepto é largo e eleva-se à altura da nave central.
A cabeceira é formada por excelente abside poligonal e quatro absidíolos; a capela-mor é rasgada por altas e ogivais fenestrações de dois lumes e reforçada externamente por contrafortes; superiormente corre cornija modilhonada com motivos antropomórficos e fantásticos animais que se materializam nas gárgulas. Interiormente, a ousia é coberta por abóbada ogival nervurada.
Embora possua belas obras de arte, o interior gótico do templo foi subvertido pela movimentada decoração setecentista, nomeadamente o revestimento "rocaille" de mármore branco e negro na base dos pilares medievos, o douramento dos capitéis coríntios ou ainda, nas paredes, os painéis de azulejos dos meados do século XVIII, com a sua bonita cercadura de movimentadas linhas barrocas, narrando episódios da vida de S. Domingos.
Numa das paredes do templo rasga-se um arcossólio contendo um túmulo do século XIII. As paredes da igreja expõem ainda quatro belas tábuas de pintura maneirista, molduradas com estrutura de talha dourada, pinturas da 2.ª metade do século XVI (c. 1555) e que narram episódios da vida da Virgem e de Jesus Cristo.
A ante-sacristia conserva ainda a sua abóbada quatrocentisa de nervuras em estrela, inserindo-se nos seus bocetes a Cruz de Cristo. Aqui repousam os restos mortais de D. Isabel do Couto de Ataíde, numa campa ostentando um brasão da falecida e a data de 1621.
Transformada a antiga casa do capítulo em sacristia, esta contém o panteão dos Sequeiras em duas campas rasas.
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