currículo
Etimologicamente, currículo é um vocábulo de origem latina que significa corrida, o lugar onde se corre (hipódromo) e, por metonímia, o que se faz durante a corrida. Daí a expressão curriculum vitae, que tanto pode significar o percurso de vida (tempus fugit), como as ações mais relevantes que cada um vai realizando ao longo da sua existência.
Embora, como diz Pratt (1980, Curriculum, design and development. EUA: HJB Publishers), o currículo seja tão antigo como a própria educação, a verdade é que só a partir do século XVII (1633, na Universidade de Glasgow) este vocábulo é associado à educação para designar as matérias a estudar. Até há pouco tempo (século XX), os anglo-saxões reservavam currículo para expressar doutrinas que os europeus continentais designavam por didática. Entre nós, o currículo surge na expressão "desenvolvimento curricular", em 1975, a propósito da formação de professores.
Devemos, entretanto, reconhecer que o currículo é fortemente polissémico. Basta ter presente que, por exemplo, Rule (1973, A philosophical inquiry into the meaning(s) of curriculum. New York: New York University (Phd)) descobriu na literatura americana da especialidade cem definições! Nós, na abordagem do tema, seremos muito redutores, assumindo sobretudo dois grandes conceitos, a que se refere a Comissão de Reforma do Sistema Educativo - CRSE -, ou seja: currículo é o conjunto das atividades letivas (currículo stricto sensu) programadas pela escola.
Ou, então, o conjunto de todas as atividades letivas e não letivas programadas pela escola, de carácter obrigatório, facultativo ou livre (currículo lato sensu). É de relevar também o currículo oficial - o que é elaborado pelas diversas instâncias do Ministério da Educação - e o real, ou seja, aquele que os professores concretizam efetivamente nas suas escolas. Como facilmente se imagina, nem sempre coincidem.
Merece ainda uma referência especial o muito falado currículo oculto, que consta das aprendizagens que ocorrem na escola mas que não são explicitamente ensinadas. Essas aprendizagens são extremamente importantes. Eggleston (1980, Sociologia del curricículo escolar. Buenos Aires: Troquel) catalogou-as nos seguintes itens:
- aprender a viver em grupos;
- aprender a fazer perder tempo aos professores;
- aprender a aceitar a avaliação dos outros;
- aprender a competir para agradar aos professores;
- aprender a copiar;
- aprender a viver numa sociedade hierarquizada, além de muitas outras aprendizagens que podemos ver, por exemplo, em Torres (1991, El curriculum oculto. Madrid: Morata).
A problemática do currículo implica, ainda, a análise das suas fontes, que, segundo Tyler (1986), são a natureza do Homem, a natureza da sociedade e a natureza do conhecimento. Estas três fontes não são aditivas, mas fatoriais.
Valeria também a pena referir as várias instâncias de planificação curricular, as suas contradições, a correspondência entre o currículo único, os conflitos e o insucesso escolar e toda a relação que daí emerge para a sociedade global.
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