D. Tomás de Noronha
D. Tomás de Noronha era filho de um fidalgo escudeiro do rei D. Sebastião. Casou com uma prima e, tendo enviuvado, casou pela segunda vez.
Jacinto Cordeiro, no seu Elogio dos Poetas Lusitanos (1631), coloca-o entre os mais célebres poetas do seu tempo.
Participou no movimento de reação crítica ao estilo poético existente na Fénix Renascida e no Postilhão de Apolo, atacando o ridículo do artificiosismo que se fazia sentir nas composições literárias da época. Podou, em oitavas herói-cómicas, o estilo do seu tempo em autênticas paródias de lugares-comuns gongóricos. Dedicou-se, assim, à sátira caricaturesca dos vícios, vergonhas e torpezas sociais em estilo quase sempre indecoroso e grosseiro. Os versos eram para ele ora uma forma de pedir favores (o que é vulgar até ao Romantismo), ora uma forma de descarregar os seus ressentimentos de fidalgo de alta estirpe sem rendimentos condignos. A sua miséria fê-lo perder todo o respeito às diferentes condições sociais, sem excluir as prestigiadas pela religião ou as que motivam a compaixão, pelo sofrimento que vivem. Desenhou-nos o feroz autorretrato atualizado do escudeiro vicentino, entre outras críticas de tipos e costumes.
Tomás de Noronha, conhecido pelo apodo de Marcial de Alenquer devido ao carácter satírico das suas composições poéticas, deixou-nos ótimos exemplos de textos ricos em alusões ao mundo social circundante como Bulha de Regateiras e A uns noivos que se foram receber, levando ele os vestidos emprestados e indo ela muito doente e chagada:Saiu a noiva muito bem trajada,Saiu o noivo muito bem trajado,O noivo em tudo muito conchegado,A noiva em tudo muito conchagada.Ela uma anágoa muito bem bordada,Ele um capote muito bem bordado;Do mais do noivo tudo de emprestado,Do mais da noiva tudo de emprastada.Folgámos todos os amigos seusDe ver o noivo assim com tanto brio,De ver a noiva assim com tantos brios.Disse-lhe o cura então: - Confia em Deus.E respondeu o noivo: - E eu confio.E respondeu a noiva: - E eu com fios.D. Tomás de Noronha, Fénix Renascida, V
Jacinto Cordeiro, no seu Elogio dos Poetas Lusitanos (1631), coloca-o entre os mais célebres poetas do seu tempo.
Participou no movimento de reação crítica ao estilo poético existente na Fénix Renascida e no Postilhão de Apolo, atacando o ridículo do artificiosismo que se fazia sentir nas composições literárias da época. Podou, em oitavas herói-cómicas, o estilo do seu tempo em autênticas paródias de lugares-comuns gongóricos. Dedicou-se, assim, à sátira caricaturesca dos vícios, vergonhas e torpezas sociais em estilo quase sempre indecoroso e grosseiro. Os versos eram para ele ora uma forma de pedir favores (o que é vulgar até ao Romantismo), ora uma forma de descarregar os seus ressentimentos de fidalgo de alta estirpe sem rendimentos condignos. A sua miséria fê-lo perder todo o respeito às diferentes condições sociais, sem excluir as prestigiadas pela religião ou as que motivam a compaixão, pelo sofrimento que vivem. Desenhou-nos o feroz autorretrato atualizado do escudeiro vicentino, entre outras críticas de tipos e costumes.
Tomás de Noronha, conhecido pelo apodo de Marcial de Alenquer devido ao carácter satírico das suas composições poéticas, deixou-nos ótimos exemplos de textos ricos em alusões ao mundo social circundante como Bulha de Regateiras e A uns noivos que se foram receber, levando ele os vestidos emprestados e indo ela muito doente e chagada:Saiu a noiva muito bem trajada,Saiu o noivo muito bem trajado,O noivo em tudo muito conchegado,A noiva em tudo muito conchagada.Ela uma anágoa muito bem bordada,Ele um capote muito bem bordado;Do mais do noivo tudo de emprestado,Do mais da noiva tudo de emprastada.Folgámos todos os amigos seusDe ver o noivo assim com tanto brio,De ver a noiva assim com tantos brios.Disse-lhe o cura então: - Confia em Deus.E respondeu o noivo: - E eu confio.E respondeu a noiva: - E eu com fios.D. Tomás de Noronha, Fénix Renascida, V
Partilhar
Como referenciar
D. Tomás de Noronha na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$d.-tomas-de-noronha [visualizado em 2026-06-16 22:04:16].
Outros artigos
-
AlenquerAspetos Geográficos O concelho de Alenquer, do distrito de Lisboa, localiza-se na Região do Centro (...
-
RomantismoIntrodução Arquitetura Artes Plásticas e Decorativas Literatura Introdução O Romantismo foi um movim...
-
Moura RamosJurista e professor universitário português, nasceu em 1950, os seus estudos têm por objeto o Direit
-
Ophélia QueirozOphélia Queiroz nasceu em Lisboa, na Rua das Trinas, no dia 14 de junho de 1900. Filha de pais algar
-
Morais SarmentoPoeta, romancista e dramaturgo português nasceu a 22 de novembro de 1807, em Bobeda, Vila Real, e mo
-
OsbernoCruzado a quem se atribui tradicionalmente a autoria de um relato da conquista de Lisboa aos mouros,
-
Oliveira MartinsAutor de uma obra vasta e abrangente nas áreas da historiografia, teoria da história, economia, dout
-
Oliveira SalazarPolítico português, filho de António Oliveira e Maria do Resgate, António de Oliveira Salazar nasceu
-
Mestre RodrigoNascido provavelmente em Marrocos (Azamor), onde viveu grande parte da sua vida, era um muçulmano co
-
Nuno TristãoNavegador português do século XV. Em 1441, ordenado pelo Infante D. Henrique que explorasse a costa
Partilhar
Como referenciar 
D. Tomás de Noronha na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$d.-tomas-de-noronha [visualizado em 2026-06-16 22:04:16].