Descompasso
Descompasso colige composições datadas de 1973 e 1974, muitas delas sugeridas pela vivência social e religiosa brasileira.
Compõe, ao mesmo tempo, uma homenagem à figura de António Maria Lisboa, cujos versos são citados em epígrafe de algumas composições ou até, como ocorre em «Tricot», entrelaçados no próprio poema através do acróstico.
Na sua globalidade, os textos de Descompasso fundem originalmente uma poesia de inspiração tradicional, de ritmo regular e musical, suspensa entre a gravidade e o humor, e composições onde a intenção lúdica, levemente surrealista, coloca em derisão discursos informativos, combina línguas (tupi, grego), joga com os grafismos e com as palavras.
Indiferente a qualquer cânone estético, por detrás das máscaras, a poesia sai "de tudo o que amei / Deixando todavia memória própria ardente." («Continuando»).
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