Dinastia Song: Arte, Comércio e Religião
Em 907, a queda da dinastia Tang motivou uma nova divisão do império chinês. Durante mais de 50 anos, cinco dinastias reinaram na planície nortenha, enquanto o Sul da China se dividia em dez Estados.
Assim, em 960 foi instaurada, em Honan, a dinastia Song, que reunificou a China, embora se tenha deparado com muitas dificuldades, entre as quais a ocupação de parte das regiões do Norte, na primeira metade do século XII, pelos Tártaros e Turcos, levando os imperadores Song a mudar a capital para Hangzhou.
Apesar das dificuldades políticas, o comércio e a cultura chinesa registaram um grande desenvolvimento.
No que respeita ao desenvolvimento comercial, este atingiu novos níveis assim como uma enorme concentração de indústrias em redor da antiga capital.
Apesar da perda do Norte, a China dos Song continuou a ser muito próspera. De salientar que as zonas do Sul eram mais produtivas do que as do Norte.
Devido ao rápido crescimento da população, o comércio e a indústria floresceram, transformando a nova capital dos Song, sediada em Hangzhou, na maior cidade do Mundo.
Apesar de os comerciantes terem sido postos de parte no funcionalismo, a maior parte deles tornaram-se ricos e passaram a ocupar lugares de importância na sociedade, constituindo associações e sociedades e organizando uma rede comercial complexa com bancos, sistemas de crédito e papel-moeda.
Como os Chineses tinham perdido as antigas rotas terrestres para a Ásia Central e para o Médio Oriente a favor dos Árabes, decidiram criar uma frota marítima poderosa que fazia comércio regular com o Sudeste asiático, a Indonésia, a Índia e o Golfo Pérsico.
No que diz respeito à religião, durante a dinastia Song, a China seguiu os princípios confucionistas.
O budismo, sempre presente nos conflitos internos do império, foi reprimido e os seus seguidores tiveram de procurar refúgio nos mosteiros, assumindo especial relevo os da seita Zen, introduzida na China durante o século VI pelo monge hindu Bodhidharma. Quanto ao confucionismo, foi ganhando adeptos entre os membros da aristocracia e os letrados o que levou ao surgimento do neoconfucionismo como filosofia e doutrina dominante, durante o século XIII.
A dinastia Song é particularmente conhecida pelos seus contributos artísticos para a história da arte. A época Song foi um período de grandes realizações culturais.
No que respeita à cerâmica, esta atingiu uma grande mestria, sobretudo as porcelanas de formas elegantes e requintadas, com decoração pintada ou incisa, de temas florais. A arte da porcelana Song é conhecida pela sua simplicidade de formas e pela pureza da cor e dos tons dos seus vidrados. Aparecem os vasos de cor verde-acinzentada, conhecidos em França, durante os séculos XVII e XVIII, como cerâmica céladon. A perfeição técnica era devida à maior rapidez do torno e a uma vigilância mais cuidada durante o processo de cozedura, tendo muitas destas peças por única decoração o tom da cor e as qualidades palpáveis.
Quanto à pintura, durante a dinastia Song esta foi protegida dos estilos tradicionais, conservando-se, assim, uma tradição académica na linha da dinastia Tang.
Porém, por influência do budismo Tch'an, o simbolismo nas figurações começou a estar patente nas realizações pictóricas, isto é, uma pintura caracterizada pela paisagem panorâmica de eixo vertical (como se o olhar se encontrasse num ponto alto), feita em seda ou papel, a tinta da china, às vezes com policromia.
Entre este tipo de pintura destacam-se King Hao, Tong Yuan, Yu-Kien e Li Tang.
Para além deste tipo de pintura existia ainda a que era feita pelos simpatizantes da seita Zen, que viviam reclusos nos mosteiros. Este tipo, praticado por Mu-hi e Leang-kai, caracterizava-se pela aguada (espécie de impressionismo chinês) em papel, denotando uma certa modernidade.
Na pintura da dinastia Song, cada motivo ou pormenor, abstraindo-se da sua própria beleza, toma uma significação abstrata, tornando-se a paisagem como um estado de alma já que se dirige não só à sensibilidade estética do observador, mas também à sua intelectualidade. Os contornos são perfeitos.
A pintura a tinta da china, monocromática, é superior na sobriedade das formas que se perdem na imensidão dos espaços.
Na arquitetura, apesar dos poucos exemplares que sobreviveram, destacam-se, como característica principal, as duas cornijas salientes dos telhados dos pagodes desta época.
Quanto à escultura, são privilegiadas as representações de Buda. Porém, em termos gerais não registou melhoramentos substanciais, acabando por entrar em declínio.
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