economia dual
O entendimento subjacente ao estudo desta problemática, na análise aqui encetada, está intrinsecamente associado às questões relacionadas com a dicotomia espaço urbano/espaço rural.
Uma breve reflexão sobre estas duas realidades facilmente identifica características associadas a cada uma delas, que, dado o carácter único e diferenciador que as identifica, propiciam ao estudioso a construção de análises e modelos capazes de captar a sua evolução e complexidade.
São vulgarmente apresentadas quatro características morfológicas e sociais distintas, que possibilitariam a separação entre estas duas realidades.
A primeira característica reside na concentração. Enquanto no espaço urbano a produção, lato senso, é espacialmente concentrada, no espaço rural regista-se uma dispersão na forma e na práxis a que se recorre para obtenção do produto.
A segunda característica está diretamente relacionada com aquilo que os economistas vulgarmente designam por meios de produção. Enquanto no espaço rural a terra se assume como um fator de produção fundamental, no espaço urbano essa característica não se verifica.
A terceira característica materializa-se no facto de, no espaço urbano, uma parte relevante se destinar à reprodução da força de trabalho e à circulação, estando uma área diminuta (poderíamos considerar marginal) associada diretamente à produção. O contrário é percecionado relativamente ao espaço rural, onde uma dimensão considerável está associada à produção, sendo negligenciável a parcela destinada à reprodução da força de trabalho e à circulação.
Finalmente, a última característica distintiva reside na localização, que assume relevância decisiva no espaço urbano e importância residual no espaço rural. De facto, as escalas de distância, dada a sua maior dispersão no espaço rural, são muito mais vastas face à realidade identificada no espaço urbano (onde se observa uma maior concentração).
Como qualquer outro fenómeno social, a sequência lógica da evolução destes espaços solicita uma análise multidisciplinar, onde se sentem, com particular acuidade, as interferências e as interdependências de aspetos políticos, económicos, geográficos e culturais.
Como súmula das diferenças identificadas, podemos concluir ser o espaço urbano um "organismo" de maior complexidade, ao qual está interligada uma dinâmica de crescimento cuja apreensão requer um instrumental teórico diversificado, de crescente e contínuo aperfeiçoamento metodológico.
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