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Efésios
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Fundada ainda antes da colonização grega, conheceu a presença grega a partir dos século XI, X a. C., sendo a mais antiga cidade fundada por povos gregos na costa da Ásia Menor. De acordo com a lenda, foi fundada ou por Amazonas ou pelos também míticos Éfeso e Coresso. Situa-se no centro da costa egeia da Ásia Menor, perto da foz do pequeno rio Meandro (antigamente Caistro) e extremo ocidental da chamada "via real", que a ligava à Mesopotâmia. Foi a sede do culto da Grande Mãe Cibele, deusa da fecundidade da terra, mais tarde assimilada a Ártemis (daí o culto da Ártemis Efesiana).

A partir do século VII a. C. começou a ser governada por tiranos, como sucederia com Cresos, rei da Lídia, a partir de 560 a. C., soberano que transferiu a cidade da sua localização original, mesmo junto ao seu porto de então, para a base do templo de Ártemis. Ciro, rei dos Persas, conquistou a cidade em 547-546 a. C., iniciando o domínio persa de Éfeso, que só seria interrompido por Alexandre Magno, c. 334-332 a. C. Os Persas, entretanto, tinham começado a reconstrução da cidade em 356 a. C. Depois de Alexandre, Éfeso caiu nas mãos de Lisímaco da Trácia, que em 287 a. C. reestruturaria novamente a cidade, deslocalizando-a da sua área e recentrando-a junto do monte Koressos. Repovoou depois a cidade com exilados de Colofone e Lebedo. Alvo de disputas sucessivas, devido à sua importante localização, entre Selêucidas e Ptolemeus, acabou controlada pelos Romanos, que a cederam ao rei de Pérgamo. Em 129 a. C. (ou 133, segundo alguns autores), porém, tornou-se na capital da província Roma da Ásia, mas com estatuto de cidade livre.

Apesar da fama e importância religiosa do santuário de Ártemis, abundava em Éfeso a magia, célebre pelos seus "papiros mágicos", sobejamente conhecidos e procurados no mundo antigo. Éfeso era uma cidade rica, confluência de rotas e caminhos, caravanas e povos, por terra e por mar, logo atraía gentes e ideias de todo o mundo antigo, como se pode verificar no carácter cosmopolita e internacional dos seus habitantes, que para mais eram basicamente de idioma grego, a língua franca da época. Possuía ainda uma importante comunidade judaica, rica e ativa, mas alvo de antissemitismo. Tornou-se depois sede de uma das mais importantes comunidades cristãs do mundo antigo, existindo mesmo uma tradição de que Maria, Mãe de Jesus, teria residido em Éfeso nos seus últimos anos de vida, tendo mesmo ali "morrido". S. Paulo várias vezes se deslocou a Éfeso (pretensamente dirigiu à importante comunidade cristã uma das suas Cartas, embora hoje se considere que não é ele o Autor), tendo mesmo lá vivido três anos, até que um tumulto desencadeado por um prateiro chamado Demétrio - fabricante de miniaturas do templo de Ártemis - ao ver o seu negócio ameaçado pelas pregações e anti-paganismo paulinos, convocou o grémio dos artesãos da prata e obrigou o apóstolo a fugir de Éfeso, refugiando-se na Macedónia.

Também entre os Efésios terá vivido S. João Evangelista, que acompanhou Maria desde a morte de Jesus Cristo. Segundo a tradição, foi em Éfeso que S. João Evangelista escreveu o seu Evangelho e foi lá mesmo que morreu. Na parte oriental do Império Romano, Éfeso ocupava um importante papel, só superado por Constantinopla, principalmente na difusão e consolidação do Cristianismo. Uma das maiores cidades da época, albergou em 431 o terceiro concílio ecuménico da Igreja, convocado pelo imperador Teodósio II. Nessa reunião magna foi condenada a heresia nestoriana (de Nestor ou Nestório, bispo de Constantinopla) e pela primeira vez sublinhada teologicamente a importância de Maria na doutrina cristã.
Um segundo concílio foi realizado em Éfeso, em 449. A passagem de tão importantes figuras do Cristianismo e acontecimentos maiores aí realizados, a cobiça dos povos pela sua posse, as suas reedificações, santuários, o seu porto, a presença atestada de tantos povos e de habitantes de várias raças e credos, confirmam Éfeso como uma das maiores cidades do mundo mediterrânico antigo, a par de Roma, Alexandria ou Antioquia, por exemplo. Os seus habitantes experimentaram o requinte da civilização depurada no cruzamento de povos e culturas, desde os gregos aos romanos, dos persas aos macedónios, aos povos da Mesopotâmia e da Anatólia, dos judeus aos cristãos, um mosaico de gentes, que criaram uma das mais belas e faustosas cidades antigas.

A cidade de Éfeso perdeu fulgor a partir do domínio bizantino e principalmente depois da conquista turca da Ásia Menor, arruinando-se e desaparecendo, muito devido ao recuo do mar e ao progressivo afastamento da cidade em relação ao mar. Como o santuário pagão de Ártemis perdera qualquer importância nos alvores do Cristianismo e as rotas e vias comerciais se foram desviando, Éfeso submergiu nas deposições de sedimentos dos ribeiros da região e mergulho na noite da História até 1895, quando as suas ruínas foram descobertas.

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Porto Editora – Efésios na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-05-25 03:14:32]. Disponível em
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