elipse (gramática)
Em estilística, trata-se de uma figura de sintaxe em que se verifica a supressão de uma ou mais palavras que podem ser contudo adivinhadas pelo contexto semântico e sintático da frase. Tem como objetivo tornar a frase mais viva, mais sincopada, com um significado mais concentrado, sendo recurso frequente não só em textos literários, como em provérbios:
"Que saudades de quem pensa. De Spinoza, de Nietzsche, do Augusto, daqueles à sombra dos quais recordo o que se imagina/ à sombra dos quais recordo os que me imaginam". (Maria Grabriela Llansol, 1994, Lisboaleipzig 1 o encontro inesperado do diverso, Lisboa: Rolim: 33) [itálico nosso, palavra suprimida dos sintagmas seguintes, embora se entenda "saudades de Spinoza, saudades de Nietzsche", etc.]
"Tal pai, tal filho". [tal como é o pai, tal como será o filho]
Em gramática, a elipse é um processo de economia linguística, podendo suprimir-se qualquer palavra ou sintagma, como por exemplo:
O sujeito verbal: "Ao fundo, recortadas no retângulo da porta, Marta e Maria movem-se na cozinha, num caleidoscópio. Por instantes param. Tornam-se som, respondem ao grito, perguntam que é." Rui Nunes, 1997, Grito, Lisboa: Relógio d'Água: 80.
O verbo ou o predicado completo: "A sombra dos braços sobre a barriga, como apóstrofes." (Rui Nunes, idem: 80). As frases sem predicado designam-se habitualmente por frases elípticas.
Uma palavra do sintagma, sendo responsável por numerosos casos de Derivação Imprópria: e.g. "um (dente) canino", "um (avião a) jato", "um (telefone) celular" (Br).
Em outros casos há elipse de preposições ou conjunções, seja por desconhecimento da regência preposicional, seja por economia linguística:
"Quase ninguém duvida que o principal conflito no Médio Oriente é uma disputa territorial entre dois povos: os israelitas e os palestinianos." [o verbo é duvidar de alguma coisa, pelo que deveria ser "duvidar de que"] (in PUBLICO, 22/01/1991:12)
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