entrevista clínica
O apoio psicológico consiste basicamente numa relação especial que se inicia com uma entrevista clínica.
A entrevista clínica é uma forma de se estabelecer uma relação privilegiada com o paciente, mas com uma visão clínica que é dada pelo referencial teórico da parte clínica.
Na maior parte dos casos, é ela própria um instrumento de avaliação para fazer apoio, anamnese, aconselhamento psicológico, intervenção e encaminhamento.
Existem vários tipos de entrevista, sendo uma delas a não diretiva. Este tipo de entrevista permite uma relação terapeuta-doente de tipo inteiramente livre, relação na qual as informações clínicas vão surgindo com certa espontaneidade, perante uma troca de impressões de carácter aberto.
A entrevista semidirectiva corresponde a uma atitude mais ou menos diretiva em que o terapeuta vai fazendo sugestões, esclarecimentos e até interpretações, ao longo do diálogo com o doente, encorajando certos aspetos do seu discurso e minimizando outros, de modo a ir obtendo uma informação coerente. Existe ainda a entrevista diretiva, em que o psicólogo coloca questões estabelecidas e obtém informações a partir delas.
Numa entrevista é necessária uma neutralidade da parte dos entrevistados: uma abstenção de tomada de decisão, uma atitude de empatia e também de ressonância com o que a outra pessoa nos transmite e uma posição de observador.
O terapeuta deverá saber mais ouvir do que falar. A entrevista deverá permitir a recolha e valorização de todo o material existente (sintomas objetivos e subjetivos, curso e acontecimentos da vida do doente).
A entrevista também pode ser uma técnica de investigação. Podem-se usar testes, mas a situação de entrevista é imprescindível. A entrevista não é uma consulta, é apenas um instrumento que se utiliza na consulta. Não deve ultrapassar os 45 minutos de duração.
A primeira entrevista tem, quase sempre, uma importância e um significado decisivo, no que respeita ao estabelecimento da relação terapeuta-doente, e dela depende o maior ou menor sucesso da terapia. É necessário existir recetividade, tolerância, atenção e confidencialidade da parte do terapeuta. A relação entre os dois participantes depende essencialmente das variáveis do entrevistado: o doente define o que se vai passar na entrevista clínica.
Numa entrevista clínica tem de haver disponibilidade, ouvir tudo, aceitar tudo, o que exige uma grande capacidade de observação.
Por vezes observa-se que a história que a pessoa conta em várias sessões é diferente. Mas não há uma grande preocupação com a verdade, a verdade dos factos por vezes não é importante. O facto de ser uma mentira faz dela importante, senão a pessoa não a contava.
Os dados de uma entrevista não são certos ou errados, são aquilo que são e revelam traços daquela personalidade.
A máxima objetividade só é conseguida quando se consegue incorporar a máxima subjetividade da entrevista.
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