Eróstrato
Eróstrato ganhou ex æquo o Prémio de Originais do Teatro Seiva-Trupe, no mesmo ano em que Pedro Barbosa recebeu o prémio de ensaio da Associação Portuguesa de Escritores com Teoria do Teatro Moderno, e responde, de certa forma, ao apelo que formulou nesse ensaio para uma renovação do teatro, que, quebrada a barreira entre ator e espectador, deveria retomar a sua tradição primitiva de teatro-comunhão.
O texto dramático de Eróstrato é assumido como um "roteiro", um "texto aberto" que, dependendo das hipóteses de reação do público, permite improvisar e prosseguir o "ritual" à margem de um texto fixado que apresenta várias variações de réplicas possíveis e vários finais.
O apelo para a participação do espectador é estimulado pela utilização de um espaço unificado, que prescinde de palco, e pela distribuição de um grupo de "atores-dinamizadores" entre a assistência. Introduzida por uma epígrafe de Artaud, a peça tem como tema a morte voluntária, ironicamente, para o protagonista, Érostrato, a única forma de superioridade humana face à própria mortalidade, e confronta o espectador com situações-limite de crueldade e de absurdo.
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