Etruscos: Arte e Ritos Funerários
Os etruscos acreditavam num inferno, lugar de horríveis tormentos, e num paraíso de deleites; o convencimento da evidente necessidade de partir deste mundo e a longa viagem para a eternidade encontram-se manifestados nos vários símbolos pintados nas paredes dos túmulos etruscos: pés, cavalos de montar, barcos, etc.
O fausto e ostentação que se veem nas necrópoles da Etrúria meridional, oferecem à consideração do investigador, antes de mais, uma perspetiva glorificada de um paraíso celestial, reminiscências, de carácter muito realista, de esplendor e magnificência terrenas. A riqueza e o luxo dos túmulos dos aristocratas e abastados mercadores evidenciam que a morte tinha perdido o que comummente tem de surpreendente. É indescritível a variedade de objetos que se encontram naquelas necrópoles: de higiene diária, inclusivamente espelhos de bronze artisticamente cinzelados, com cenas mitológicas e belas formas de nu. As figuras lavradas nos sarcófagos representam pessoas sentadas à mesa, como um sumptuoso banquete, com esplêndidos serviços de mesa e jarras de vinho; é muito frequente a representação de partidas de caça, bailes, banquetes orgíacos, cenas amorosas...
O contacto com a Grécia determinou as fases mais importantes da expansão etrusca, nomeadamente ao nível da arte. A importação dos produtos gregos é constante desde o princípio da civilização etrusca até ao seu terminus. As influências fenícia e cartaginesa foram efémeras e deixaram poucos rastos.
O mais interessante da arte etrusca é a arquitetura e a pintura. Na arquitetura os modelos gregos assumiram, por exemplo, formas típicas e desenvolvidas mas com carácter independente. O templo etrusco é produto de uma evolução do Mégaron egeu. Possuía um profundo átrio ou vestíbulo que assentava sobre colunas muito espaçadas, estando a metade posterior ocupada pela cella ou câmara geralmente dividida em três partes: uma central, mais larga, e duas laterais mais estreitas, correspondentes ao culto de três deuses.
Mais interessantes são os túmulos. Conhecem-se numerosas necrópoles em Campânia e na Etrúria: Corneto (Tarquinii), Cervetri (Caere), Valci, Chiasi (Clusium), Castel d'Asso, Orvieto (Volsinii), Colonna (Vertulonia). Às vezes estão situadas numa elevação e separadas da cidade dos vivos. Os túmulos etruscos são construções com cúpulas do estilo micénico, ou seja, de falsa cúpula e que irão dar lugar às câmaras escavadas na rocha. Estas por vezes são uma só, noutras existe uma sala principal rodeada de câmaras mais pequenas. A cobertura é sustentada por pilares.
Os cadáveres eram colocados sobre bancos ou leitos de pedra e tinham junto a si oferendas funerárias, que consistiam em armas, objetos de bronze, vasos cerâmicos, etc. Mas o mais interessante dos túmulos são as decorações murais pintadas.
Nas artes menores é evidente a influência grega, talvez ainda mais do que na pintura ou arquitetura. Há cerâmica pintada que é uma imitação dos vasos importados. Também os etruscos empregaram a argila em grandes estátuas de difícil técnica, que adornavam a entrada dos templos como o Capitólio de Roma. Outro grupo de esculturas são as estelas do Norte e Centro da Etrúria que são do século VI. Nelas há, geralmente, guerreiros esculpidos com diferentes armas formando um relevo muito plano.
Uma última manifestação da arte etrusca está nos bronzes gravados com temas gregos e orientais. Os objetos que recebem mais decoração são os reversos dos espelhos de bronze e as grandes caixas redondas para objetos de toilette. A obra mais notável é a chamada Cista ficoronia, adornada com cenas da lenda dos argonautas traçadas com uma excecional mestria.
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