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EUA: Terra Prometida
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O que hoje são os Estados Unidos da América representou desde o século XVI um destino alternativo para os que buscavam aventura ou, mais frequentemente, fortuna, mas que nos países em que viviam não tinham perspetivas de a obter, devido em grande parte a condicionalismos sociais mas também por razões políticas (como aconteceu aos descontentes com o despotismo do rei inglês Carlos I, na década de 1630).
Também os puritanos mal tolerados em Inglaterra embarcaram em 1620 no Mayflower para iniciar uma nova vida na "terra de promissão", reforçados pela convicção britânica de pertencerem já a uma nação forte e que deveria espalhar as suas qualidades pelo mundo. A "promissão" para estes Peregrinos do Mayflower era de uma terra onde pudessem viver em paz, em união e fazer as suas próprias leis, sendo considerado este estabelecimento puritano o início de uma migração europeia planeada. Na verdade, o Estado da Suécia enviou em 1638 diretamente para o Delaware um grupo de colonos, e apesar do Delaware ter sido conquistado pelos Holandeses a migração sueca continuou com bastante intensidade e sobretudo no século XIX (New Cork). Não se pode esquecer ainda que a fome na Alemanha e a praga da batata ou míldio na Irlanda (século XIX) provocaram autênticas vagas emigratórias. Estes colonos europeus, a par dos asiáticos, foram atraídos a estes territórios onde se dizia haver ouro em abundância e não faltar o necessário para suprir qualquer necessidade e muito mais, o que acabou por se tornar realidade com esforço e trabalho árduo. As condições melhoraram para os colonos quando se iniciou o envio de escravos africanos no início do século XVII, mas até ao final da Guerra da Secessão não se aboliu a escravatura, e mesmo a partir desta altura foi bastante difícil para as pessoas de raça negra não serem discriminadas numa nação cujos princípios constitutivos assentavam na não discriminação de raça nem religião. Contudo, o extraordinário incremento migratório para os EUA do século XIX justificou-se igualmente pelo progresso que estes territórios tinham atingido em termos produtivos, comerciais e em infraestruturas de comunicação, prometendo boas condições de vida e facilidade em prosperar.
Já no século XX países como o México, a República Dominicana e a Venezuela produziram êxodos infindáveis de emigrantes em direção aos Estados Unidos, em grande parte ilegais, que procuraram a partir de meados do século uma alternativa no "sonho americano" à profunda crise económica e social vivida nas suas nações.
A emigração portuguesa nos Estados Unidos tem também a sua história, e foi tratada, por exemplo, pelo escritor José Rodrigues Miguéis no seu livro "Gente de Terceira Classe" (1962), um autor que se "expatriou" voluntariamente para aquela nação. Foi ativista da causa republicana e colaborador da revista Seara Nova. A emigração portuguesa para os EUA é já secular, contando-se entre os cidadãos americanos mais de 1 150 000 lusodescendentes (1 300 000 segundos outras fontes), dos quais mais de 200 000 nasceram em solo português. Perto de 90 000 estão naturalizados americanos. Uma outra cifra revela-nos ainda que mais de 500 000 portugueses terão emigrado para os EUA entre 1820 e 1991. A presença portuguesa é muito importante na Califórnia, na Costa Oeste, mas também em Connecticut, Rhode Island, New Jersey (maior comunidade), Nova Iorque e Massachussets, todos na Costa Leste. A maior parte dos efetivos lusos emigrados nos EUA provém dos Açores.
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Como referenciar
Porto Editora – EUA: Terra Prometida na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-06-18 07:57:32]. Disponível em
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