Fallas de Valência
Explosão de luz, cor e alegria, a grande festa das fogueiras, as Fallas de Valência, remonta aos séculos XIII e XIV, tendo surgido por iniciativa dos grémios profissionais da cidade, nomeadamente o dos carpinteiros, cujos artífices trabalhavam à luz dos candis e das tochas.
A chegada dos dias mais longos da primavera, sinal de mudança de ciclo e de renovação, era celebrada pelos jovens com fogueiras que eram acendidas à porta das carpintarias, alimentadas por objetos velhos. Mais tarde, "vestiram" cruzes de pau com roupas e calçado antes de serem atiradas ao fogo, o que deu origem aos ninots, os bonecos que ainda fazem parte das atuais Fallas, agora modelados em cartão e alusivos a personalidades famosas. Progressivamente, foram introduzidos o fogo de artifício e a música e transferiu-se a festa para a véspera do dia de S. José, o patrono da carpintaria, e mais tarde para o dia 19 de junho. Hoje, realiza-se de 12 a 19 de março em vários municípios da comunidade valenciana, para além das mundialmente famosas Fallas de Valência.
A confeção das Fallas é realizada durante todo o ano, maioritariamente nas oficinas da Cidade do Artista Fallero, construída para o efeito em Benicalap. A festa é atualmente coordenada pela Junta Central Fallera, que também atribui condecorações aos que se distinguem pelo seu engenho e graça: melhores Fallas, atividade fallera, etc. Os autores dos folhetos com explicação das Fallas editados por cada comissão são também distinguidos com prémios.
O melhor ninot de cada Falla é exibido ao público em La Lonja, o qual indulta do fogo um dos ninots, que se conservará depois num museu fallero, juntamente com os ninots indultados de anos anteriores. A primeira exibição do ninot data de 1935 e as Fallas são classificadas por categorias consoante o orçamento de cada uma delas, destacando-se sobretudo as seis que fazem parte da Categoria Especial, lugar de honra no qual têm grande tradição as Fallas de Jordana, Pilar, Mercado, Collado e Convento de Jerusalém.
A construção de uma Falla requer do artista contratado para o efeito perícia, arte e graça. As Fallas são individualmente tuteladas pelas respetivas comissões masculina, feminina e infantil, que elegem de entre as suas Fallas a Fallera Mayor, que representará a Falla em todos os atos a que deva assistir e que será a concorrente à Fallera Mayor de Valência, eleita por votação entre todas as candidatas. A apresentação à população é feita tradicionalmente no Teatro Principal durante uma grande festa.
As Fallas de Valência movimentam todos os anos cerca de 25 mil homens, quase o mesmo número de mulheres e 50 mil crianças, disparam-se duas mil mascletas, quatrocentos castelos de fogo de artifício e dois mil quilómetros de tracas e atuam trezentas bandas de música com mais de 10 mil músicos.
Na construção das Fallas utilizam-se mais de dois milhões de quilos de estuque, quinhentos mil quilos de cartão e grandes quantidades de tinta, barro, madeira, tecidos, pregos, etc. Para além da sua importância na cultura e tradição locais, as Fallas de Valência têm uma grande importância na economia local das populações da comunidade valenciana.
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