ferro de engomar
A origem do ferro de engomar perde-se no tempo mas é atribuída aos chineses a sua utilização no século VIII.
Dentro de uma espécie de taça metálica era colocado carvão em brasa e, depois, recorrendo a uma pega de osso, marfim, madeira ou jade, passavam por cima do linho, algodão ou seda para alisar o tecido. No século XIII, na Europa, também se colocava carvão em brasa numa caixa fechada, que tinha uma pega por cima para se poder pressionar a roupa. Para manter o carvão a arder, esta peça tinha orifícios e uma espécie de chaminé, por onde acabava por sair algum pó que sujava a roupa. Paralelamente, havia outras caixas onde se introduzia um pedaço de metal aquecido. Este sistema já não largava pó mas tinha o inconveniente de requerer a substituição constante das peças que iam arrefecendo. Outra alternativa, que se tornou bastante popular, era o recurso a uma peça de ferro aquecida externamente e depois aplicada sobre a roupa. Neste objeto, teve origem a expressão "ferro de passar".
O norte-americano Henry Seely patenteou o ferro elétrico em 1882, um objeto doméstico que na altura não conheceu grande sucesso mas que, mais tarde, viria a revelar-se de extrema utilidade. Na época, a invenção de Seely foi prejudicada pelo facto de ainda poucas casas disporem de energia elétrica. Para além disso, as que estavam ligadas à rede de distribuição só à noite podiam desfrutar de eletricidade, já que as companhias durante o dia cortavam o abastecimento. Como as donas de casa preferiam passar a roupa de dia, o ferro de Seely foi quase votado ao abandono.
O facto de na época também ainda não haver maneira de controlar a intensidade do calor levou a que invenção de Seely não conhecesse muito sucesso. Entretanto, nesse mesmo ano de 1882, em França tentaram lançar um ferro de engomar em que o calor era produzido por uma lâmpada, mas este revelou-se um método bastante perigoso. Na verdade, as donas de casa da época há muito ansiavam por uma forma mais simples de passar a roupa, já que os métodos até então usados não eram os mais aconselháveis. Os antepassados do ferro elétrico eram extremamente difíceis de montar e utilizar: ferros previamente aquecidos no fogão, ferros de caixa, os aquecidos a gás e os alimentados por um tubo. Em 1892, apareceram, finalmente, os ferros com resistência elétrica, mais eficientes e seguros, que viriam a servir de base para futuros desenvolvimentos. O ferro elétrico aliava a limpeza ao controlo da temperatura, evitando que se perdesse tempo a aquecer ou a arrefecer o aparelho. Como eram mais rápidos a alterar as temperaturas podiam ser usados continuamente. Também eram baratos e podiam ser utilizados em qualquer casa com eletricidade. No entanto, era raro haver habitações com tomadas de eletricidade fora da cozinha, pelo que havia o recurso a adaptadores e extensões. Como só dependia da energia elétrica e dispensava outras fontes de calor, podia ser utilizado em qualquer divisão. O ferro elétrico, beneficiado pela expansão da rede de distribuição elétrica, era bastante fácil de fabricar e montar e tanto podia ser produzido por pequenos fabricantes como por grandes empresas.
Em 1924, surgiu outro desenvolvimento assinalável, o termostato regulável, que permitia adequar a temperatura do ferro ao tipo de tecido, evitando assim que se queimasse a roupa, e, dois anos mais tarde, são introduzidos os ferros a vapor no uso doméstico.
Em 1939, o ferro elétrico alcançou o estatuto de segundo eletrodoméstico preferido, logo atrás dos aparelhos de rádio. Com o início da década de 50, apareceu uma grande variedade de ferros, mas ainda com o aspeto dos seus congéneres dos anos 30. O passar do anos levou a que a oferta fosse multiplicada consideravelmente, desta feita com uma grande diversidade no design e nos tamanhos. Merecem destaque especial os ferros de viagem, suficientemente pequenos para caber numa mala de viagem.
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