Francisco Martins Sarmento
Martins Sarmento nasceu a 9 de março de 1833, em Guimarães, e faleceu a 9 de agosto de 1899. Era filho de Francisco Joaquim de Gouveia Morais Sarmento, senhor da Casa da Ponte em Briteiros, e de D. Joaquina Cândida de Araújo Martins. Foi um homem sábio, grande pré-historiador, etnólogo e arqueólogo. Foi, sem dúvida, um dos pioneiros da moderna arqueologia em Portugal.
Aos vinte anos de idade, Francisco Sarmento completou os seus estudos em Direito na Universidade de Coimbra. Ainda jovem, herdou a fortuna de seus pais, a qual utilizou em prol do aumento dos seus conhecimentos humanísticos e da sua sabedoria.
Segundo o historiador Alberto Sampaio, vimaranense e contemporâneo de Francisco Sarmento, a evolução mental de Francisco Sarmento pode ser dividida em três fases: uma primeira, que denominou de ciclo romântico, devido às composições poéticas e literárias que realizou aos vinte e dois anos; uma segunda fase, que corresponde aos seus estudos sociológicos e jornalísticos, que decorreram entre 1856 e 1874; por fim, a última fase, que corresponde aos estudos históricos e arqueológicos que preencheram o resto da sua vida.
A partir de 1874, após as suas primeiras escavações nas ruínas da citânia de Briteiros, que duraram até 1899, investigou todo o passado remoto da origem dos então denominados povos lusitanos. Após uma profícua sequência de descobertas e explorações, bem como de sucessivos estudos e leituras sobre os investigadores estrangeiros e historiadores da Antiguidade clássica, adquiriu conhecimentos sólidos que lhe granjearam uma afamada reputação além-fronteiras. Este facto deu-se precisamente após a visita dos congressistas do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Históricas (1880) às suas escavações na região de Entre Douro e Minho.
Em 1882, um grupo de admiradores fundou em Guimarães a Sociedade Martins Sarmento. Nesta instituição podemos encontrar a coleção arqueológica, de gravuras antigas e outros bens que lhe foram legados pelo próprio.
Deixou-nos também algumas obras, para além de vários artigos escritos em revistas e jornais e diversos manuscritos. Das obras literárias salientam-se: Os Lusitanos (1880); Ora Marítima (1880, 2. ed., 1896), Os Argonautas (1887). Dos manuscritos, deixou cerca de 4000 páginas, cujo tema principal são os seus estudos e prospeções arqueológicas, realizadas na região de entre Douro e Minho.
O seu nome surge em muitos tratados de arqueologia clássica, sendo referenciado como um dos mais notáveis pioneiros do campo da arqueologia. Foi condecorado pelo Governo francês com a Legião de Honra. Pertenceu ainda a inúmeras associações de arqueólogos quer em Portugal quer no estrangeiro.
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