Frei Hermano da Câmara
Religioso e fadista português, Hermano Vasco Vila Cabral da Câmara nasceu a 12 de julho de 1934, em Lisboa, no seio de uma família aristocrata com enlaces profundos ao fado. Desde cedo, Hermano Cabral da Câmara participou em reuniões juvenis de fado, a maior parte das vezes na companhia dos irmãos. Gravou o seu primeiro disco em 1955, embora a estreia no circuito comercial só acontecesse em 1959, com o disco "Sunset and Sentimental".
Desse registo faziam parte alguns temas célebres da carreira do monge, nomeadamente o afamado "Colchetes de Oiro". Aos 27 anos, depois de se ter tornado monge beneditino, a ligação à música mística de carácter religioso traz-lhe a fama, especialmente com o "Fado da Despedida". Contudo, é nos anos 70, com uma obra maior, de título "Nazareno", inspirada no Evangelho e com letras colhidas de vários poetas portugueses, que consegue o êxito comercial, vendendo numerosas gravações do disco. Os arranjos, a direção orquestral e os coros haviam ficado a cargo de Jorge Machado. Outros sucessos da carreira de Frei Hermano da Câmara foram as gravações "Deus é Música" e "Totus Tuus" (uma serenata a Nossa Senhora).
De entre as inúmeras atuações em público de Frei Hermano da Câmara merecem referência os espetáculos no Teatro Tivoli (1969), no Teatro São Luís (1977), no Teatro Maria Matos (1980), no Coliseu dos Recreios (1986), no Coliseu do Porto (1988) e na mediática exposição universal de Lisboa, a Expo'98.
Foi também responsável pela fundação da congregação dos Apóstolos de Santa Maria e pelo vínculo da música ao apostolado como veículo fundamental da Fé. Em 1994, a edição "Missa Portuguesa", em que Frei Hermano da Câmara era acompanhado pela London Philarmonic Orchestra, editada pela Movieplay, esteve no topo das vendas de discos no mercado nacional. Três anos mais tarde, de novo em parceria com a orquestra britânica e com a colaboração do guitarrista António Chainho e a direção de José Calvário, chega ao mercado "Um Astro de Luz".
Neste trabalho figuravam alguns êxitos como "No Céu, No Céu", "Nome Dulcíssimo" e "Jesus, Eu Amo-te". Em 2004, a etiqueta lançou "Vivo d'Arte, Vivo d'Amor", apresentado ao vivo no Coliseu do Porto, com o acompanhamento de uma orquestra de 21 músicos, do Coro Notas Soltas de Vila Franca de Xira e sob a direção do maestro José Marinho.
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