Geração do Suplemento Cultural
A Geração do Suplemento Cultural, nascida em 1958, aparece como uma Geração muito identificada com uma verdadeira postura de revolta.
O Suplemento Cultural saiu apenas uma vez, pois o segundo foi impedido de sair às bancas pela censura colonial da época.
A situação de Cabo Verde na época levava a que este grupo de homens, reunido à volta desta Geração, questionasse politicamente as verdadeiras causas/razões de tal realidade comprometida, apelando, assim, à revolta humana.
Desta forma, é amplamente reconhecido que este Suplemento Cultural marcou, definitivamente, uma atitude radicalmente diferente em relação às Gerações anteriores. Apesar de irem buscar a maturidade literária aos homens da Geração da Claridade (1936) e a maturidade político-social aos homens da Geração da Certeza (1944), os homens da Geração do Suplemento Cultural apresentam-se como homens da Geração da recusa (a favores específicos ao sistema colonial) que aposta na valorização da coletividade - cabo-verdiana, obviamente. O "eu" poético é, assim, um "eu coletivo", um "eu/nós", onde o poeta se apresenta como o porta-voz da dimensão cultural coletiva, identificando-se solidariamente com o seu povo.
Do ponto de vista político-social, a Geração do Suplemento Cultural assume uma postura de combate, de revolta e de alerta, abrindo caminho à mais pura vontade de independência.
Fala do homem que aposta na terra que é sua, negando tendências antigas (seculares, mesmo) de evasão, de fuga, desvalorizando o elemento "mar" para dar vida ao elemento "terra".
Os seus textos são rítmicos, repetitivos, exatamente porque são enfáticos, destinados a revelar claramente as realidades.
A sua principal missão era a de captar a fidelidade do homem cabo-verdiano à sua terra natal e, nas circunstâncias naturais e dimensões espirituais, levá-lo às últimas consequências, por forma a que resultasse na atitude de reconstrução do enraizamento da cultura intelectual em bases profundas e coerentes. A sua maior intenção era a de fazer da arte literária uma projeção intencionalmente combativa da problemática do ilhéu.
Consciencializar o homem cabo-verdiano de que este faz parte integrante de um processo histórico geral que o envolve, era, no momento, o trabalho mais ativo que esta Geração do Suplemento Cultural tinha de levar a cabo.
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