Godido e outros contos
Quando a Secção de Moçambique da Casa dos Estudantes do Império tomava a iniciativa de lançar, em 1952, Godido e outros contos, de João Dias - moçambicano negro, estudante universitário - escrevia-se a primeira página histórica da ficção moçambicana.
De facto, para trás, além de longos e numerosos textos colonialistas, não havia nada que pudesse ser considerado ficção moçambicana.
A experiência de João Dias, do ponto de vista do narrador, é a de alguém consciente da sua condição de colonizado, e que decide reagir.
Ao longo do texto constata-se que a relação colonizador/colonizado é dada em termos críticos perfeitamente virados para o combate à alienação implantada há séculos.
Godido e outros contos traz, assim, para a ficção, e pela primeira vez, o homem moçambicano, enquadrado num sistema colonialista. Este homem é o real moçambicano, com as suas características mais próprias, as suas atitudes mais típicas, os seus pensamentos e sentimentos mais genuínos. A acompanhar o texto é apresentada ao leitor uma severa tónica do racismo e da exploração a que o negro estava quotidianamente sujeito. O tom encontrado nestes contos está um pouco na linha pessimista da visão da cor negra como fator relacionado íntima e inseparavelmente com desgraça, fatalidade, incapacidade de chegar ao nível dos brancos. Não é um tom de compaixão, mas sim de revolta extrema e de vontade plena de denúncia, para que se contribuísse finalmente para a mudança de um rumo até então viciado.
João Dias, ao sentir na pele a realidade da sua posição, a alienação inerente ao homem negro, traz ao mundo - moçambicano e colonial - um fantástico texto que pretende unicamente incluir a atividade produtora no seio da comunidade, de maneira a eliminar todas as formas de alienação que deformam o homem moçambicano.
Godido e outros contos aparece, assim, como um notável projeto literariamente moçambicano, tornando-se, por isso mesmo, no ponto 0 da moçambicanidade da narrativa.
Estes contos, escritos por um jovem moçambicano que prometia uma brilhante "carreira" na história da literatura moçambicana, são, ainda hoje, vistos como uma fonte inspiradora, como a primeira gota de tinta negra destinada a "escrever" o homem, a sua cor, o seu mundo, a sua vida, o seu ser.
De facto, para trás, além de longos e numerosos textos colonialistas, não havia nada que pudesse ser considerado ficção moçambicana.
A experiência de João Dias, do ponto de vista do narrador, é a de alguém consciente da sua condição de colonizado, e que decide reagir.
Ao longo do texto constata-se que a relação colonizador/colonizado é dada em termos críticos perfeitamente virados para o combate à alienação implantada há séculos.
Godido e outros contos traz, assim, para a ficção, e pela primeira vez, o homem moçambicano, enquadrado num sistema colonialista. Este homem é o real moçambicano, com as suas características mais próprias, as suas atitudes mais típicas, os seus pensamentos e sentimentos mais genuínos. A acompanhar o texto é apresentada ao leitor uma severa tónica do racismo e da exploração a que o negro estava quotidianamente sujeito. O tom encontrado nestes contos está um pouco na linha pessimista da visão da cor negra como fator relacionado íntima e inseparavelmente com desgraça, fatalidade, incapacidade de chegar ao nível dos brancos. Não é um tom de compaixão, mas sim de revolta extrema e de vontade plena de denúncia, para que se contribuísse finalmente para a mudança de um rumo até então viciado.
João Dias, ao sentir na pele a realidade da sua posição, a alienação inerente ao homem negro, traz ao mundo - moçambicano e colonial - um fantástico texto que pretende unicamente incluir a atividade produtora no seio da comunidade, de maneira a eliminar todas as formas de alienação que deformam o homem moçambicano.
Godido e outros contos aparece, assim, como um notável projeto literariamente moçambicano, tornando-se, por isso mesmo, no ponto 0 da moçambicanidade da narrativa.
Estes contos, escritos por um jovem moçambicano que prometia uma brilhante "carreira" na história da literatura moçambicana, são, ainda hoje, vistos como uma fonte inspiradora, como a primeira gota de tinta negra destinada a "escrever" o homem, a sua cor, o seu mundo, a sua vida, o seu ser.
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Como referenciar
Godido e outros contos na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$godido-e-outros-contos [visualizado em 2026-06-04 10:04:09].
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