grupos
Kurt Lewin (1890-1947) parte de uma visão pessoal empírica, baseada na sua experiência da guerra de 1914-18, que lhe serve de ponto de partida para uma visão conjunta do mundo. A representação do espaço pode apresentar-se diversificadamente: um militar tem dele, quase sempre, uma visão estratégica, um agricultor a sua capacidade produtiva de várias culturas, um pintor a sua disposição estética, etc. A visão é dada segundo o que dela é esperado.
É desta relação entre espaço e sujeito, que muito releva, paralelamente, na conceção filosófica de Heidegger, nesta relação pessoal com o conjunto, ou com a conjuntura, que Lewin vai tirar a sua noção de "campo", numa imagem também tirada dos campos magnéticos formados pela atração e pela repulsão.
Esta conceção "conjuntural" resulta da aprendizagem universitária de Kurt Lewin: Gestalt da investigação alemã de entre as duas guerras e do psicologismo de Guilherme Wundt. Nesta conceção investigativa de perspetiva do conjunto - como o "campo" - releva sobre o atomismo da sua composição. Lewin sai da escola berlinense da Gestalt e faz parte do êxodo judaico que, em 1936, face às primeiras perseguições, ruma da Alemanha em direção aos Estados Unidos.
Aplicando a conceção a grupos humanos - como corpos e não mera soma de indivíduos - verifica-se uma aplicação na formação dos grupos. Estes corpos apresentam também diversidades - ou atraídas, ou repelidas - às quais, nos seus movimentos, os indivíduos se podem aproximar ou afastar. Por essa possibilidade, os indivíduos podem pertencer-lhes simultaneamente. Deste modo, os grupos não são justaposições, mas desenvolvem-se de forma dinâmica, gerando totalidades, "totalidades dinâmicas".
Face a estes grupos de constituição dinâmica, o grupo formado pode apresentar-se como objeto de experimentação dinâmica, num sentido de observação do seu comportamento depois de fixado, aglutinando-se ou dissociando-se, dentro do seu conjunto e dos seus contornos.
Outro dado adquirido desta teoria dos grupos dependerá da forma como se organiza a sua comunicação. A sua rede determina não só a sua conformação geral mas também o volume das relações que dentro dela existem. Mas muito mais das conceções psicológicas da pertinência a grupo. Esta pertinência, ou pertença, tanto do próprio se considerar do grupo, como do grupo o considerar pertencente. Mas também, mais conjunturalmente, dos resultados, dos objetivos e das normas de conduta.
E, noutro regresso à conjunção gestáltica, a uma verificação externa, diríamos objetiva, do conjunto de todos estes dados.
O funcionamento através dos grupos torna-se principal face à intervenção dos indivíduos. E o ambiente apresenta a sua contribuição como espaço em que o "campo" de forças de atração e de repulsão atuam sobre o seu comportamento.
A teoria de Lewin desenvolve-se, depois, na consideração de uma verdadeira "dinâmica de grupo", que, desde a fundação do seu grupo de pesquisa no Massachusetts Institute of Technology (MIT), no ano de 1944, se vai sucessivamente aplicar ao estudo dos tipos de liderança (Lippit), à conformação às normas do grupo (Asch), à submissão à autoridade (Milgram), a problemas de desvio e de coesão (Festinger) e aos modos de exercer a influência (Moscovici).
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