hermenêutica
Na Grécia antiga o termo tinha implícito o nome do deus Hermes, equivalente ao Mercúrio romano.
Hermes era o mensageiro, intérprete e tradutor da vontade dos deuses. O sentido desta palavra aparece com Platão imbuído de religiosidade.
O conceito de "hermenêutica", enquanto tentativa de interpretação do texto, interpretação essa que pode ter vários níveis sucessivamente mais profundos - o literal, o alegórico, o moral e o anagógico (espiritual ou místico) -, foi-se definindo inicialmente de modo gradual e sobretudo no interior de religiões como o judaísmo, o cristianismo ou o islamismo. Cada uma destas religiões propõem uma hermenêutica do texto bíblico que culmina na interpretação anagógica. Neste contexto mantém-se a religiosidade do conceito "hermenêutica".
Schleiermacher foi o primeiro autor a tentar uniformizar os critérios de interpretação, definindo-a através de duas categorias: a gramatical e a psicológica. A primeira fixa-se na letra do texto, atendendo às características do discurso, enquanto que a segunda procura definir a individualidade do autor, a especificidade que o caracteriza.
Dilthey procurou depois mostrar que a hermenêutica se deve centrar sobretudo no enquadramento histórico que envolve a obra, já não só a obra escrita, mas também a obra de arte e a atividade humana em geral.
Com Gadamer é o próprio intérprete que se deve reconhecer como pertencente a um contexto histórico determinado e aceitar desde logo a impossibilidade de uma interpretação objetiva do texto, precisamente pelo facto de estar mergulhado num contexto distante do do texto.
A hermenêutica de um texto é sempre aquele ato enigmático pelo qual o leitor tenta aproximar-se o mais possível da atitude mental do autor, procurando a cada momento refazer em si o que ele teria pensado e sentido, tentando ultrapassar os limites em que a subjetividade o pode encerrar. É por essa atitude que é possível desvendar aquilo que o autor possa ter ocultado.
O problema que desde logo se coloca aqui é não só o de conhecer o contexto histórico das ideias e das palavras que as exprimem, mas também o de saber o que quis dizer aquele autor particularmente no contexto desse livro e, mais em geral, da sua obra, e até nas inflexões que o seu vocabulário sofreu.
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