Hong Kong and Shanghai Banking Headquarters
Considerado um dos edifícios mais caros do século XX, a sede do Hong kong and Shanghai Banking Headquarters, em Hong Kong, projetada pelo conceituado arquiteto inglês Norman Foster (1935-) e pela empresa de engenharia Ove Arup and Partners, constitui um duplo manifesto: por uma lado proclama simbolicamente a fecundidade e poder económico do grupo empresarial que o encomendou, por outro é uma inovadora solução formal e estrutural pela definição de plantas livres, pela criação de um espaço vazio central de ligação entre os pisos, pela escala da dimensão urbana.
Este projeto apresenta uma solução estrutural em tudo inversa relativamente às torres tradicionais em que os pisos se sobrepõem em torno de um núcleo resistente central. Aqui, os suportes encontram-se no exterior e assumem a forma de oito mastros, cada um constituído por quatro tubos, complementados por grandes vigas, localizadas nos níveis 11, 20, 28, 35 e 41. Estes elementos em betão constituem três sistemas porticados gigantescos, colocados em paralelo e em sucessão ascensional, que deixam o piso térreo totalmente livre, por forma a conter uma praça coberta.
Todas as lajes, assim com as fachadas do edifício, estão suspensas destas vigas, o que permite libertar inteiramente o núcleo central. Os próprios elementos de circulação vertical (ascensores e escadas) assim como os serviços técnicos são deslocados para os extremos do edifício. O poço central, onde enormes elementos em diagonal cortam o sentido ascensional, é banhado por uma intensa luz natural que é refletida por meio de um espelho controlado por computador. Este amplo átrio vertical possibilita a criação de um novo sistema de relações visuais entre os diversos espaços de trabalho. Um teto suspenso de vidro, formando uma membrana transparente atravessada por escadas rolantes, constitui a separação entre este poço e o piso térreo exterior.
Para além destas questões de carácter geral, Foster prestou especial atenção ao desenho dos pormenores e de problemas espaciais concretos. A delicadeza de algumas soluções, como as modulações das fachadas-cortina ou algumas peças pequenas mostram ressonâncias da cultura arquitetónica oriental.
Paradigma da arquitetura high tech, a par com o edifício Lloyds de Londres, de Richard Rogers, construído entre 1979 e 1986, este edifício marca uma fase de aperfeiçoamento das estruturas metálicas e de betão armado (em grande parte retirada da indústria aeronáutica e da engenharia militar) e de monumentalização do papel da alta tecnologia enquanto representação e espelho da sociedade capitalista.
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