Hospital e Igreja da Misericórdia de Castelo Branco
Não se conhecendo com exatidão a fundação da Misericórdia de Castelo Branco, sabe-se, no entanto que esta instituição existia já em 1514. O hospital e o seu templo quinhentistas foram demolidos, estando registado numa lápide o nome do arquiteto que concebeu esta Igreja da Misericórdia: Simão da Silva.
A zona hospitalar ocupava uma zona próxima da Rua d'Ega, não se conseguindo determinar o seu exato local.
O provedor da Mesa da Misericórdia de 1620, o bispo D. Nuno de Noronha, efetuou um pedido ao rei para que o hospital tivesse condignas instalações e fosse contíguo à igreja. Apesar dos apoios recebidos, as obras arrastaram-se pelo século seguinte, já que em 1740, um outro provedor pede a renovação dos subsídios a D. João V.
Assim, o Hospital e Igreja da Misericórdia estavam concluídos no século XVIII, notando-se no templo o cunho do barroco joanino, enquanto o que resta do edifício hospitalar - já que o pavilhão esquerdo, dedicado ao internamento feminino, foi demolido no século XIX - é uma construção anterior. O esquema arquitetónico deste monumento apresentava a igreja ao centro ladeada por dois edifícios de internamento.
O Hospital da Misericórdia de Castelo Branco ocupou estas instalações até ao ano de 1836, altura em que foi transferido para as dependências do Convento da Graça, continuando presentemente a funcionar neste local.
O motivo de maior interesse artístico da Misericórdia Velha reside no seu templo setecentista, dedicado à Rainha Santa Isabel. A frontaria é pouco desafogada face à estreita ruela medieval em que se insere. Na sua configuração, nota-se o sopro das exuberantes linhas e formas do barroco joanino.
O portal nobre é de linhas retas, rematado por um decorativo frontão triangular interrompido. Superiormente, rasga-se uma janela com reentrante frontão curvo, ladeada por duas outras de idêntico perfil, decoradas no peitoril por cartelas de temas vegetalistas. A empena é formada por ressaltado frontão triangular, inscrevendo-se no tímpano um brasão real com a coroa em alto-relevo. Remata-a uma escultura de vulto de granito figurando a Rainha Santa. Superiormente, no alinhamento dos ângulos da fachada, impõem-se movimentados fogaréus.
O corpo hospitalar do lado direito, o edifício de internamento masculino, é simples e apresenta num dos ângulos da cobertura a estátua de Santo António.
O interior do templo é formado por uma só nave com cobertura de madeira. Lateralmente dispõem-se uma série de altares, alguns deles ornamentados por pinturas do século XVII, com realce para a Visitação e o Casamento de Santa Isabel com S. Zacarias. Num outro é visível uma escultura de Santo António, de madeira policromada.
O teto de madeira pintado apresenta uma exuberante composição barroca de enrolamentos, concheados, anjos, grinaldas, etc., enquadrando a cena central do Pentecostes; lateralmente narram-se a Apresentação no Templo e A Anunciação. As figuras dos Evangelistas, com os atributos respetivos, surgem nos cantos de toda esta barroca glorificação pictórica.
A capela-mor possui um monumental retábulo de talha dourada, coroado por brasão de armas reais, obra do triunfante barroco do período joanino.
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