Igreja de S. João Baptista
A nova Igreja de S. João Batista de Campo Maior veio substituir um templo anterior, de cerca do ano de 1520, totalmente destruído quando um raio atingiu em 1732 a torre de menagem do castelo da vila - espaço convertido em paiol e que explodiu por inteiro, lançando a ruína aos edifícios em redor, entre os quais se contava a primitiva igreja de S. João Batista.
Dois anos depois era lançada a primeira pedra para a construção da nova igreja, que seria concluída em 1737.
É uma obra de grande qualidade arquitetónica, inscrevendo-se no contido vocabulário do barroco de feição clássica, tendo sido arquitetada por Sebastião Soares.
Mas, outra fatalidade abateu-se sobre a nova igreja. Em 1808, as tropas francesas sob o comando de Massena extorquiram as alfaias de culto e as obras de arte mais importantes deste templo. Só em prata, os franceses levaram cerca de 150 quilos e nada disto viria a ser resgatado.
A frontaria da igreja ergue-se acima do nível da rua, pelo que se torna necessário aceder à sua entrada por uma escadaria que dá para um pequeno átrio gradeado. A fachada é flanqueada por duas torres sineiras, marcadas por pilastras, com a cimalha assinalada por fogaréus e cobertas por pequenas cúpulas com pináculos.
Rasga-se axialmente o portal nobre da igreja, delimitado por pilastras de fuste escavado, sobre o qual corre um entablamento e friso com triglifos. Sobrepujando a cornija abre-se um nicho de linhas direitas e contracurvadas, albergando uma escultura em mármore branco de S. João Batista. Ladeiam-no dois janelões moldurados por uma composição barroca sinuosa e linear.
O interior é majestoso, bem iluminado e equilibrado, desenhando o corpo uma planta centrada octogonal. As suas paredes, marcadas por altas pilastras compósitas, são revestidas por mármores multicolores, com especial destaque para a tonalidade azul, abrindo-se nelas arcos de volta perfeita e abrigando altares barrocos, alguns deles contendo pinturas seiscentistas. Sobre a forte cornija moldurada rasgam-se oito tribunas superiores gradeadas e que iluminam o interior da igreja.
Antecede a capela-mor um arco de triunfo com as armas reais, sendo a ousia coberta por uma abóbada de berço e contendo um retábulo barroco setecentista de mármores alentejanos policromados.
A sacristia é um espaço coberto por uma abóbada de berço, sobre a qual se pode admirar um arcaz de madeira, várias pinturas seiscentistas e um lavabo de mármore com a figuração de dois golfinhos entrelaçados.
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