Igreja de S. Salvador (Coimbra)
Edificação coetânea da românica Sé Velha conimbricense, a Igreja de S. Salvador de Coimbra é um templo realizado na segunda metade do século XII, em substituição de uma igreja anterior, e localiza-se no Largo de S. Salvador, em espaço vizinho do Museu Nacional de Machado de Castro.
De acordo com uma inscrição na parede da igreja, o portal do românico coimbrão é uma obra datada de 1179 e patrocinada por Estêvão Martins. Várias reformas ulteriores, particularmente a campanha do século XVIII, desfiguraram parte substancial dos alçados e da fachada românica.
A frontaria do templo é uma remodelação setecentista, que conserva ainda alguns elementos românicos, sendo originalmente uma reprodução, em menor escala da fachada da Sé Velha. Antecedido por uma dupla escadaria, o portal da fachada surge num corpo saliente, formado por dois arcos plenos e moldurados por arquivolta ornamentada com acantos, repousando em dois pares de colunas com capitéis vegetalistas, sendo um dos fustes facetado e decorado com vieiras e flores estilizadas. Por cima deste, corre uma cornija ressaltada com modilhões românicos, contendo motivos geometrizantes, vegetalistas e ainda uma cabeça humana.
A parte superior foi alterada no século XVIII, tendo sido rasgada por janelas; a central é sobrepujada por nicho vazio, com o remate superior feito por vergas ondeadas e terminação de grande cruz latina.
O interior de S. Salvador apresenta um corpo dividido em três naves e marcado por arcaria plena, suportada por altos e robustos pilares cilíndricos com capitéis românicos fitomórficos e animalistas, delimitando a zona do transepto pilares compostos. Esta estrutura arquitetónica sustenta uma cobertura de madeira com caixotões simples. A cabeceira tripartida reparte-se em ábside e absidíolos, estando um destes coberto por abóbada de caixotões e a ousia por abóbada de berço simples.
As paredes das naves laterais são cobertas por harmoniosos painéis barrocos de azulejos dos meados de Setecentos e de oficina local, narrando episódios hagiográficos e cristológicos. Na parede da nave direita abre-se um arco que conduz à capela onde se encontra o túmulo funerário de Afonso de Barros e Guimar de Sá. Esta capela é uma edificação do gótico tardio do 1.º quartel do século XVI (c. de 1515), reformada nos finais do século XVII e beneficiando do brilho da talha dourada barroca e do revestimento de azulejos coetâneos; apresenta uma planta retangular e está coberta por abóbada de nervuras que partem de mísulas. Sob um pouco desenvolvido arcossólio manuelino surge o mausoléu fúnebre do casal acima mencionado, com a sua arca tumular manuelina, onde se lê uma inscrição gótica, sob a qual estão anjos heráldicos amparando o brasão dos Barros e Sá. Esta obra tem sido atribuída ao denominado Mestre dos Túmulos Reais. Sobre a tampa tumular foi colocada uma expressiva e dramática Pietà, aparatosa peça barroca de madeira.
A capela-mor, antecedida por arco triunfal de dupla arquivolta românica, expõe um grande retábulo de talha dourada e com pintura marmoreada, composição barroca do século XVIII. Nas paredes estão azulejos barrocos setecentistas com cenas cristológicas e emblemas eucarísticos.
A capela colateral do Evangelho é uma reconstrução do século XVI, tendo o seu arco renascentista as armas brasonadas de António Velez Castelo Branco. Coberta por uma abóbada de berço apainelada, a capela guarda um equilibrado retábulo de pedra de Ançã consagrado a S. Marcos.
A composição retabular deixa ver, sob nichos concheados, a imagem de S. Marcos, ao centro, ladeada pelos doadores. O piso superior mostra um belo alto-relevo com a Assunção da Virgem e o seu coroamento, colocando-se nos nichos laterais as figuras de S. Pedro e de S. Miguel Arcanjo vencendo o Demónio. Toda esta composição escultórica renascentista foi realizada em 1540 pelo escultor francês João de Ruão.
A capela colateral da Epístola abre numa dupla arcaria românica e contém um retábulo de talha dourada e pintura marmoreada, obra barroca do século XVIII com um baixo-relevo de madeira policromada, alusiva à Apresentação da Virgem.
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