Indira Gandhi
Indira Priyadarshini Gandhi, filha de Jawaharlal Nehru, nasceu a 19 de novembro de 1917, em Allahabad, na Índia. Formou-se na escola de Visva-Bharati e, posteriormente, na Universidade de Cambridge.
Em 1929, com 12 anos, Indira fundou o Vanar Sena, organização das crianças no Congresso Indiano. Após a morte da sua mãe, em 1936, Indira estreitou a sua ligação com o pai, tendo em 1938 ingressado como deputada no Congresso.
Em 1955, Indira foi eleita para o Comité de Trabalho Nacional e tornou-se presidente do Partido do Congresso entre 1959 e 1960. Durante este período, ela superintendeu o colapso do governo comunista, sob a orientação de Kerala. Em 1964, foi eleita para o parlamento e veio a assumir, mais tarde, o cargo de ministra da Informação e das Comunicações sob presidência do sucessor de Nehru - Lal Bahadur Shastri.
Após a morte de Shastri, em 1966, Indira Gandhi foi eleita primeira-ministra pelo Partido do Congresso e conduziu o seu partido a quatro vitórias consecutivas nas eleições gerais, embora sem uma maioria absoluta.
Em 1969, reafirmando a orientação socialista do seu partido, Indira conseguiu o apoio do eleitorado popular no golpe de força contra a tendência conservadora do Congresso por ocasião da eleição presidencial de V. V. Giri (candidato de Gandhi). A cisão entre as várias alas do Congresso originou uma volta radical na política interna, que incluiu a nacionalização dos bancos e das companhias seguradoras.
Em 1971, tendo como temática para a campanha das eleições nacionais o slogan "Erradicar a pobreza", Indira, dado o extremo subdesenvolvimento da Índia, viu a sua imagem projetada a líder nacional e o esbatimento da oposição conservadora dentro do seu próprio partido.
O desejo de reforçar a coesão nacional, consolidando ao mesmo tempo a autoridade internacional indiana, afirmou-se através do apoio vitorioso que Indira deu à insurreição do Bengala Paquistanês em dezembro de 1971, dando origem ao Estado de Bangladesh. O tratado de amizade assinado em agosto desse ano com a U. R. S. S. não a impediu de se posicionar como figura dominante da política de não alinhamento dos países do Terceiro Mundo.
Internamente, depois dos êxitos nacionais, Indira teve grandes dificuldades em prosseguir a modernização do país. Em 1973, após a descida global nos preços do petróleo e a consequente crise económica, os partidos da oposição geraram uma vaga nacional de contestação contra a inflacção galopante e a corrupção. Em 12 de junho de 1975, Indira Gandhi foi considerada culpada de práticas fraudulentas nas eleições pelo Supremo Tribunal de Allabahad.
No dia 25 do mesmo mês, fundamentando-se na constituição indiana, Indira decretou o estado de emergência. Como consequência, a constituição e os direitos vigentes foram suspensos, os líderes da oposição presos, os meios de comunicação censurados, o poder judicial reduzido e 110 mil ativistas políticos detidos.
Um programa de reformas económicas e sociais foi estabelecido pela primeira-ministra durante este período. O filho de Indira, Sanjay Gandhi estabeleceu o Congresso da Juventude que instituiu o programa de esterilização forçada, com o objetivo de combater o excesso de demografia no país. O estado de emergência foi levantado em março de 1977 e as eleições para a Assembleia Nacional foram marcadas.
Após a derrota nas eleições de 1977, Indira Gandhi regressou ao poder em 1980 com o seu novo partido: O Congresso I (Indira). Nesse ano, o seu filho Sanjay, o preferido de Indira para a sucessão, morreu num acidente de aviação. Indira Gandhi continuou a combater vigorosamente as múltiplas reinvindicações nacionalistas dos povos da União Indiana, especialmente as dos Sikhs do Penjabe.
No último período (1980-1984) o exercício do poder como primeira-ministra foi marcado pela centralização e pela personalização.
Em 1980, Indira desmantelou Akali Dal, o partido Sikh e sediou o governo em Penjabe. Esta medida originou uma escalada de violência tal que a 4 de junho de 1984 Indira ordenou ao exército indiano que erradicasse a resistência militar Sikh, sediada no Templo Dourado. Esta operação designada pelo nome de código "Estrela Azul" resultou na morte de um grande número de pessoas e na alienação permanente da comunidade Sikh.
Apesar da operação "Estrela Azul" ter consolidado a popularidade de Indira entre a comunidade Hindu, alguns militares revoltaram-se contra o massacre dos civis Sikhs.
O ressentimento da etnia Sikh culminou com o assassinato de Indira Gandhi, a 31 de outubro de 1984, em Nova Deli, por um elemento Sikh da sua guarda pessoal.
Após a morte de Gandhi, sucedeu-lhe de imediato o seu outro filho Rajiv no lugar de primeiro-ministro.
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