instrumentalismo
Max Weber fala da racionalização da sociedade para dar conta do progresso científico e técnico e das suas repercussões nas sociedades que se encontram em vias de um processo de "modernização". Segundo ele, é a ação racional por relação a um fim - que Parsons designará de instrumental - que é própria dos domínios económico e burocrático. Este problema é tratado por Habermas (1973) em termos da distinção entre "trabalho" (atividade instrumental e estratégica) e "interação" (interações mediatizadas pela linguagem corrente, no sentido da comunicação livre no quadro das normas que orientam a ação), que é, simultaneamente, uma distinção entre o domínio instrumental e técnico e o domínio prático da ação segundo valores. "Por trabalho ou atividade racional por relação a um fim, eu entendo - diz Habermas - ou uma atividade instrumental, ou uma escolha racional, ou ainda uma combinação das duas. A atividade instrumental obedece a regras técnicas que se fundamentam num saber empírico." O modelo da atividade racional por relação a um fim é, por conseguinte, o da atividade instrumental ou estratégica.
Assim, enquanto o quadro institucional da interação mediatizada por símbolos é o do mundo sociocultural da conformidade às normas, a atividade instrumental, relativa aos sistemas de atividade racional por relação a um fim, visa a solução de problemas, segundo um objetivo definido em termos das relações meios-fins.
A atividade instrumental pretende, portanto, o crescimento das forças produtivas e o alargamento do poder de dispor tecnicamente das coisas. Nesta medida, o instrumentalismo ou a manipulação técnica das coisas diz respeito ao poder de dispor tecnicamente da Natureza, poder este que, na atualidade, se estende à sociedade e ao Homem. O instrumentalismo propagou-se hoje, por exemplo, à engenharia genética, cujos efeitos de desenvolvimento se fazem sentir na medicina, no domínio da sexualidade na agricultura (veja-se a produção de produtos alimentares transgénicos).
Mas o modelo instrumentalista da natureza e do devir da técnica é um modelo clássico racional: "o Homem-sujeito-criador racional produziria a técnica exclusivamente em função de objetivos, [...] para a realização dos quais inventa de forma sistemática e metódica os meios e instrumentos adequados" (Hottois). Hottois chama a atenção para o facto de que uma visão instrumentalista da técnica se torna impossível desde o momento em que a tecnicização tomou uma dinâmica de tal forma total e englobante, que já não pode ser remetida para uma ou outra finalidade. Hoje, toda a nova invenção situa-se no cruzamento de inúmeros vetores técnicos e é fruto da combinação de novidades técnicas anteriores. A conquista do espaço é exemplo disso, como Hottois sublinha, pois exige a conjugação estreita de diversas técnicas de ponta (da energética à medicina, da eletrónica à psicotécnica, etc.).
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