João dos Santos
Médico e psicanalista português, João dos Santos nasceu no ano de 1913. Foi um dos cofundadores da Sociedade Portuguesa de Psicanálise, juntamente com Pedro Luzes e Francisco Alvim.
Foi investigador em Psicologia Genética e considerado um suprassumo na área da psicopedagogia, possuindo muitos seguidores do seu trabalho e obra.
Pensador e homem de ação, o seu interesse científico e prático focou-se essencialmente na criança e nos seus problemas e perturbações em ensino especial.
Revolucionou os caminhos da psiquiatria infantil até então praticada em Portugal, baseada nos conhecimentos psicanalíticos aplicados à criança. Teve como preocupações básicas a compreensão do funcionamento mental infantil, a origem das suas perturbações, as formas de revelação dos sintomas e seu significado, visando não só a terapia compreensiva das crianças como também a prevenção das situações perturbadoras.
Foi notória a sua ação no campo da prevenção e da promoção da saúde mental infantil, tendo o seu nome ficado ligado à criação de diversas instituições particulares com carácter preventivo, das quais se salientam os centros psicopedagógicos da Voz do Operário e do Colégio Moderno, o Centro Helen Keller, a Associação Portuguesa de Surdos, o Instituto de Apoio à Criança, entre outros.
A partir de 1965, a sua experiência foi aplicada na primeira instituição portuguesa vocacionada para a saúde mental infantil - o Centro de Saúde Mental Infantil e Juvenil de Lisboa. Devem-se-lhe a sua organização, planificação e direção até 1982, altura em que se reformou.
De 1978 a 1982, regeu a cadeira de Psicologia Dinâmica da Faculdade de Psicologia da Universidade Clássica de Lisboa.
Foi agraciado, em 1984, com o grau de comendador da Ordem de Benemerência. Em 1985, a Universidade Técnica de Lisboa atribuiu-lhe o título de Doutor Honoris Causa. Faleceu em 1987.
Deixou uma obra escrita plena de sabedoria e de muita originalidade, da qual se destaca: A casa da praia - O psicanalista na escola, que trata da organização da neurose e seus sintomas infantis e onde se explica que a sua evolução é em parte condicionada pela neurose dos pais e pelas suas atitudes educativas, que são na sua maioria inconscientes; Se não sabe porque é que pergunta?; Eu agora quero-me ir embora, sobre crianças com problemas; Ensaios sobre a Educação I - A criança quem é e Ensaios sobre a Educação II - O falar das letras.
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