Kaos
Romance póstumo de Ruben A., concluído, mas não integralmente revisto pelo autor, em 1974, e editado por José Carmo e Palla, em 1981.
Foca, como em A Torre de Barbela, vários momentos sobrepostos da História de Portugal, detendo-se aqui, porém, em dois momentos política e socialmente conturbados: o início do século XIX, com a fuga da família real para o Brasil, e os anos imediatamente anteriores e ulteriores à implantação da República.
Tendo como fio condutor os desencontros amorosos de dois pares, situados em diferentes momentos históricos, o título remete para o caos que rege a escrita, a (des)ordem e sentido da história, os atos humanos, tendendo, para além de um tom provocatório e zombeteiro, verbalmente iconoclasta, para um certo ceticismo e desencanto, num autor que, como historiador, conhece bem os paradoxos e melancólica repetição que envolvem a génese, eclosão e desilusão dos processos revolucionários.
Para José Carmo e Palla, dois temas se apresentam como fios condutores do romance, o amor "ou, exatamente, a falta de amor nas épocas revolvidas", e o medo "em que os portugueses mergulham em certas épocas." (PALLA, José Carmo e - "Breve Nota Sobre um Romance Inédito de Ruben A., in Kaos, Lisboa, INCM, 1981, p. 257).
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