Lee Kuan Yew
Advogado, político e estadista de Singapura, Lee Kuan Yew nasceu a 16 de setembro de 1923, em Singapura, e morreu a 23 de março de 2015, na sua cidade natal.
Advogado, fundou o Partido da Ação Popular (People´s Action Party, conhecido por PAP) em 1954, formação política da esquerda não comunista, de cariz socialista, embora moderado, anticolonialista e anti-imperialista de que é desde então o secretário-geral. Este partido - que mais tarde se tornará partido único - venceu as eleições de 1959, tornando-se Lee Kuan Yew primeiro-ministro. Singapura, até então colónia britânica, passa a constituir-se como um território com autonomia alargada, integrado na Commonwealth.
Em 1963, Lee Kuan Yew negoceia a entrada de Singapura para a Federação da Malásia, que se estava nesse ano a formar. Em 16 de setembro, consegue tal desiderato. Singapura manter-se-á na Federação até 1965, ano em que, a 9 de agosto, declara a sua independência (mantendo-se como república no âmbito da Commonwealth e aderindo à ONU), em grande parte devido à forte tensão entre malaios e chineses. À frente dos destinos do jovem país, Lee Kuan Yew dirige-o com mão de ferro, conseguindo, todavia, aproximar Singapura das nações industrializadas do Ocidente e do Japão.
Feroz anticomunista, partido que sempre se lhe opôs e sobre o qual exerceu forte perseguição política, decide não encetar relações diplomáticas com Pequim antes da Indonésia o fazer, ainda que ele como a maioria dos habitantes de Singapura fossem chineses. Em 1961, por exemplo, a tendência pró-comunista do PAP abandona o partido, fundando o Barisan Sosialis. Após a rutura das relações diplomáticas com a Indonésia e com a Malásia, Lee Kuan Yew enveredou por uma política mais conservadora.
Em 1976, na sequência deste afastamento progressivo da esquerda, Lee Kuan Yew e o "seu" PAP abandonam a Internacional Socialista, que o condenou de procedimentos anti-democráticos. Só em 1981 se deu a entrada no parlamento de Singapura de um deputado oposicionista, o líder trabalhista J. Ben Jeyaretnam.
Lee Kuan Yew, através de uma política autoritária, esforçou-se sempre por aproximar o seu país dos padrões ocidentais de desenvolvimento (industrialização, modernização do setor produtivo), para além do reforço da coesão da população multirracial de Singapura (chineses, malaios e indianos, entre outros) e das ligações com as nações do sudeste da Ásia e do Pacífico, mesmo com as de regime marxista. Optou igualmente por criar umas fortes e bem equipadas forças armadas e por manter relações de amizade com a Commonwealth - opondo-se à retirada das tropas britânicas estacionadas na antiga colónia -, bem como uma política externa favorável à atração de investimentos estrangeiros - nomeadamente da Europa e Japão - no território.
Porém, esse desenvolvimento assentava num exercício do poder bastante duro e repressivo, o que mereceu algumas condenações internacionais e mesmo da Amnistia Internacional (como em 1978 e 1980, não o impedindo de ganhar as eleições, no entanto). Controlava os sindicatos, reformou o PAP no sentido de se tornar um Movimento Nacional e, em 1986, um ano depois de "ter deixado cair" o presidente, o que reforçou a figura de Lee Kuan Yew, este conseguiu a aprovação de uma lei de censura sobre a imprensa internacional. Perante as críticas dos jornalistas e da oposição, afastou Jeyaretnam do parlamento, mandando-o encarcerar. O apogeu da dureza do regime de Lee Kuan Yew deu-se em 1987, quando, sob a acusação de conspiração comunista, mandou prender membros de organizações católicas e do Partido dos Trabalhadores. Assim, em 1988, só um dos deputados eleitos não pertencia ao PAP (era do Partido Democrático).
Depois de ter vencido sucessivamente as eleições em 1968, 1972, 1976, 1980, 1984 e 1988, e ao fim de 31 anos de mandato como primeiro ministro, Lee Kuan Yew apresentou a sua demissão em 1990 por razões de carácter pessoal, afastando-se da vida política ativa, embora permanecendo como figura tutelar e emblemática da nação. Sucedeu-lhe o seu "vice" Goh Chok Tong, também autoritário.
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