linguagem (linguística)
SENTIDO LATO: sistema de sinais, signos ou símbolos escritos ou gestuais convencionalmente utilizados por uma comunidade humana ou animal para comunicar.
Nesta aceção, o termo linguagem pode referir-se à linguagem humana articulada, à linguagem animal (linguagem das abelhas, dos golfinhos, etc), à linguagem musical, à linguagem matemática, à linguagem pictórica, à linguagem gestual (que comporta duas aceções: a linguagem dos surdos-mudos e o código cinésico que serve de redundância à expressão linguística), etc. Pode também incluir outros sistemas de sinais, como o código da estrada, o código da comunicação marítima ou aérea, etc.
SENTIDO ESTRITO: linguagem verbal como característica inata, universal e exclusiva do ser humano. A linguagem humana atualiza-se nas línguas naturais que entre si apresentam propriedades e funcionamento comuns designados por universais linguísticos. A linguagem pressupõe dois falantes, um locutor e um alocutário, que comunicam entre si uma mensagem e que estão inseridos num contexto específico. Concorrem, para o estudo da linguagem, outros fatores extra-linguísticos (neurológicos, psicológicos, sociológicos, antropológicos e culturais), que permitem distinguir a linguagem humana da linguagem animal ou de sistemas de códigos.
C. F. Hockett (1960, 1968) elaborou um esquema teórico com o objetivo de distinguir a comunicação humana da comunicação animal, de onde destacamos os seguintes traços ou características que podem definir a linguagem humana:
1. canal vocal auditivo: a linguagem é um continuum sonoro produzido pelo aparelho fonador e percebido pelo aparelho auditivo;
2. intercambiabilidade: os papéis de locutor (falante) e alocutário (ouvinte) podem ser trocados numa situação de interação comunicativa;
3. especialização: os sinais linguísticos têm funções comunicativas, sociais, psicológicas, não apenas biológicas e não necessitam de muito esforço ou energia para a sua produção.
4. semanticidade: a comunicação realiza-se por signos que se referem a entidades ou eventos;
5. arbitrariedade: a relação entre o signo e o seu referente na realidade é puramente convencional e imotivada (significante);
6. carácter discreto: a linguagem humana é constituída por segmentos distintos e separáveis entre si;
7. distanciamento: a linguagem humana pode ser usada para referir coisas distintas no espaço e no tempo;
8. abertura (ou criatividade): a linguagem humana permite que se combinem os seus constituintes que existem em número limitado de forma a produzir frases sempre novas e nunca antes produzidas;
9. tradição: a linguagem humana, através das línguas, é aprendida de geração em geração, não é o resultado de um mecanismo de hereditariedade;
10. prevaricação: a linguagem humana permite mentir, falar de coisas fictícias ou inexistentes, criar outros mundos, etc;
11. reflexividade: a linguagem humana permite explicar-se a si própria, falar da própria linguagem;
12. aprendibilidade: qualquer falante de uma dada língua pode aprender outra língua nova.
A linguagem humana é finalmente manifestação de uma intenção por parte de indivíduos dotados de consciência e de um aparelho físico que usam para falar. Nenhum outro sistema de comunicação não-humano se aproxima da complexidade inerente à linguagem ou linguagens desenvolvidas pelo homem.
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